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CHEGOU A HORA DA CLASSE M�DIA ESCOLHER O QUE QUER

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O Brasil é um país caro. A classe média sofre. São produtos e serviços caríssimos, uma imensidão de impostos, uma série de despesas que não existiriam se houvesse qualidade nos serviços públicos (chega a ser irresponsável colocar um filho em escola pública ou não ter plano de saúde), e quem precisar de uma ajudinha no fim do mês, afunda em indecentes taxas de juros. Aí, de repente, além de tudo isso, eis que surge uma lei dobrando os custos para se manter um empregado doméstico, custo esse a ser assumido integralmente pelo empregador. É justo com a classe média? A resposta é um sonoro e seguro sim, mesmo que as razões não sejam muito óbvias. Primeiro, é importante lembrar que todos esses custos também se aplicam aos trabalhadores domésticos. Eles também pagam em ligações telefônicas, eletrodomésticos, alimentação, preços que chegam a custar cinco, dez vezes mais que o praticado no resto do mundo. Pior, nosso sistema tributário centrado no consumo onera mais os pobres do que os ricos. Na prática, quem não paga imposto de renda paga muito mais imposto do que quem entrega seus 27,5% para o leão. E adivinha quem mais deve no cheque especial e no cartão de crédito? E por fim, se o custo de vida está tão alto, uma boa parcela da culpa é da própria classe média, dizem os especialistas. Além do ?custo Brasil? e da carga tributária, nosso modo de ser é outro fator essencial para a disparada nos preços. Quando analisamos os resultados de grandes empresas como montadoras, redes de fast-food, bancos, vemos que as margens de lucro são muito maiores no Brasil do que em qualquer outro lugar, e o motivo é simples: quanto cobrarem, nós pagamos. Temos que ter a maior TV e o celular tem que ser o último lançamento. Sabemos que nossos carros custam bem mais do que deveriam, mas mesmo assim, ano após anos, batemos o recorde de vendas. Já dinheiro pra babá, de repente, ninguém tem. Quem achou um absurdo ter que pagar o dobro a sua ?secretária? deveria se perguntar se precisa mesmo de um carro tão caro. Ele voa por acaso? Quem preferir manter seu estilo de vida, tudo bem, que saia mais cedo do trabalho, estacione seu troféu na garagem e vá lavar a louça e os banheiros. Já quem preferir, pode cortar alguns gastos não tão essenciais, para ter o magnífico privilégio de dispor de um ser humano cuidando exclusivamente da sua casa. Acredite, além de valer a pena, é muito justo.

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