Opinião
Ainda sobre o caos no tr�nsito
João Nogueira, o saudoso sambista, cantava: ?Por onde andará Maria Rita/ Que andava gingando com laço de fita/ Por quem tenho admiração?. Saudosos de uma melhor ordenação no caótico transitar de veículos, os maceioenses poderiam recitar algo como: por onde andarão os guardas de trânsito? Como a Maria Rita do samba, o paradeiro deles é incerto e não sabido. Simplesmente sumiram. Sem controle, nem mesmo um silvo de advertência, várias versões circulam à vontade, algumas dizendo do desmantelamento do setor por falta de concurso e/ou legislação específica; outras garantem que a turma do apito e do talão de multas foi abduzida em bloco por uma nave alienígena. O fato é que os motoristas fazem o que querem, como desejam, na hora que lhes dá na telha. As placas de ?proibido estacionar?, por exemplo, perderam sua utilidade há anos; virou símbolo morto e insepulto. Algumas das medidas de alteração no tráfego, interessantes em sua concepção, estão sendo desmoralizadas sem pena pela absoluta falda de fiscalização. Este é o caso da opção de acesso à Ladeira Geraldo Melo a partir da Praça Marcílio Dias. A poucas centenas de metros de seu início, a alternativa pensada para desafogar o trânsito naquele sentido é asfixiada por um estacionamento duplo defronte a uma escola e pela permanente presença de caminhões a carregar e descarregar botijões de água mineral numa distribuidora. Ao longo de todo o percurso, o fluxo de automóveis é sistematicamente obstruído por carros estacionados por moradores que consideram ser sua propriedade particular o pedaço de rua defronte à casa que habita. Outro exemplo escandaloso pode ser notado, diariamente, na Rua João Pessoa, artéria das mais importantes vias para o tráfego no centro da cidade e que se transformou em estacionamento ao longo de toda a sua extensão ? inclusive com ?pontos de táxi? aferrados em mais de um trecho, sendo o mais famoso aquele situado nas proximidades da Igreja do Rosário. E por essas e outras, é trôpego o tráfego em Maceió. Daí, pergunta-se: por onde andarão os guardas de trânsito?