Opinião
EPIT�FIO, SUA L�GICA E SIMBOLISMO
Epitáfios, expressão de origem grega, seriam frases colocadas sobre túmulos e mausoléus, ou mesmo simplesmente produzidas para homenagear a trajetória de vida de algumas personalidades. Os homens de pensamento cultivam suas diversas formas de manifestação, traduzindo legados, lembranças e julgamentos pessoais. Formuladas ainda em vida dos homenageados, a política e a literatura registram essas mensagens através de marcantes interpretações. Um repertório de frases, versos e sentenças lapidares envolvem o universo dos aludidos sentimentos. A renomada poetisa Cora Coralina traduziu seu epitáfio escrevendo com inspiração: Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos. O célebre primeiro ministro britânico Winston Churchill afirmou de forma solene: ?Estou disposto a encontrar-me com meu Criador. Se meu Criador está preparado para a grande prova de reunir-se comigo, será outra questão?. O diplomata brasileiro e poeta João Cabral de Melo Neto desejou escrever um livro de epitáfios sobre os amigos. Confessou, com estima, que o nosso conterrâneo e imortal Lêdo Ivo falava muito. E, ainda quando em vida de ambos, criou um epitáfio no qual dizia ? Aqui repousa livre de todas as palavras Lêdo Ivo. Em decorrência da sugestão de amigos comuns para formular epitáfios para destacadas figuras contemporâneas de nossa terra, articulamos os seguintes dizeres sobre as indicadas personalidades. Divaldo Suruagy: governou os homens, doutrinou o coração das mulheres e cultivou a generosidade nos caminhos de sua geração. Ronaldo Lessa: enfrentou grupos econômicos, elegeu novas práticas políticas e lutou por uma sociedade mais justa e humana. João Sampaio: aceitou os desafios do seu tempo, defendeu novos rumos para a educação superior de nossa terra e exercitou a tolerância em benefício de todos. Dilton Simões: colocou a dignidade acima de tudo, a lealdade como fundamento das amizades e honrou os cargos que o destino lhe confiou. O olhar histórico sobre a atuação dos homens públicos sofre necessariamente os reflexos das posições políticas e da visão crítica da sociedade. Diante desse contexto, vale relembrar o ensinamento do jurista italiano Ellero ? o tremendo ato de julgar foi usurpado de Deus pelo homem.