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Opinião

A HONROSA ESPECIALIDADE DA RADIOTERAPIA

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Um artigo, recentemente publicado, com o título ?Conselhos de um velho neurocirurgião?, descreve frases que teriam sido ditas por um dos professores do autor na especialidade Neurocirurgia e comparando esta com outras áreas das Ciências Médicas. Utilizando a ironia como figura de linguagem, essas memórias depreciam de forma jocosa algumas especialidades, entre elas, a radioterapia. O citado professor dizia que para fazer radioterapia ?basta saber ler?. Além disso, ?Máquinas e protocolos pré-estabelecidos trabalharão por você?. Vai mais além e sugere que o médico especialista em radioterapia só fica sabendo da morte de um paciente se esse deixa de comparecer às sessões. Se a intenção do autor foi escrever um artigo engraçado, ficou muito longe de atingir esse objetivo. Ele é infeliz, distorcido, ofensivo e sem graça. Humor, definitivamente, não é sua vocação. Como presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, cabe-me esclarecer à população que a radioterapia é uma das três importantes armas de combate ao câncer. Em torno de 60% dos pacientes com essa enfermidade necessitam de radioterapia em, pelo menos, uma fase do seu tratamento. Um médico especialista em radioterapia precisa saber profundamente como se trata câncer, ter bem estabelecido conceitos de física médica, radiobiologia e bioestatística e, fundamentalmente, ter uma imensa sensibilidade para a relação com o paciente, ao contrário do que sugere o artigo. Recebemos doentes com o estigma de um diagnóstico de câncer e, em muitas situações, em estado de muito sofrimento. Temos, como especialista em radioterapia, que proferir palavras de conforto e indicar um tratamento adequado para atingir a cura ou para aliviar um sofrimento. Atualmente, é possível curar vários tipos de câncer apenas com radioterapia. O acompanhamento desses pacientes é a verdadeira arte da prática da medicina de forma humanizada. Ser um bom especialista em radioterapia requer anos de formação e estudos de atualização constantes. Enfim, o articulista que escreveu o artigo expôs a própria desinformação que, segundo ele, teria aprendido com seu professor. Lamentável se tais lições foram repassadas. E mais triste ainda é o articulista pensar assim a respeito de um assunto tão sério, que envolve a saúde da população e, em especial, o câncer.

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