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A indigna��o em gotas de fogo

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Recente manifestação, simbolicamente, acendeu uma vela para cada pessoa assassinada no Estado. Foi mais um momento onde a sociedade iluminou-se em indignação e cobrou resultados palpáveis. Um dos motes do protesto é a evidente incapacidade dos números, eventualmente apresentados como positivos pelas autoridades, serem sentidos como tais pela sociedade. As estatísticas oficiais trombam de frente com uma quantidade cada vez maior de vítimas da violência, pois hoje é difícil encontrar uma família que não tenha algum de seus integrantes sido alcançado por alguma ação criminosa, como um roubo, um assalto, uma tentativa de intimidação. É muito difícil localizar um adulto que não tenha algum conhecido assassinado. Esta não é uma exclusividade alagoana, é certo. Na capital paulista o número de latrocínios aumentou 55% na comparação entre abril de 2012 e abril de 2013. Isto sem falar no crescimento de 5,6% dos estupros (233 em abril do ano passado contra 246 em abril deste ano). Como os paulistas contam separadamente os homicídios, esta modalidade criminosa registrou uma queda de 3,7%. A realidade da insegurança pública é real na maioria dos Estados brasileiros. A diferença é que em Alagoas os esforços não convencem ao público, mesmo com o empenho e apoio do governo federal. É assustador o desgaste da estrutura de segurança pública em nosso Estado, apesar dos bons exemplos dados, aqui e ali, por ações das polícias civil e militar. O problema, do ponto de vista da percepção popular, é que cada caso resolvido é engolido pela quantidade muito maior de crimes sem solução. Não interessa nem ajuda a ninguém essa deterioração do prestígio do sistema policial. O que esperar quando é minada a confiança do povo na estrutura que lhe deveria dar segurança? A fragilização da respeitabilidade da estrutura da segurança pública se constituiu num gigantesco incentivo ao crime, organizado ou não. Acender velas é, antes de qualquer coisa, um apelo para que algo venha a iluminar o cenário; é a reafirmação de uma chama, ainda que trêmula, de esperança...

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