Opinião
O PADRE E A VERDADE DE CRISTO
Há alguns dias, um tal de padre Beto, da diocese de Bauru, em São Paulo, foi excomungado. Dentre outras coisas, ele defendia a infidelidade conjugal, nos seguintes moldes: homem e mulher, desde que acordados entre si, seriam livres para trair o seu parceiro, seja com o mesmo sexo ou com o sexo oposto. Bastou a excomunhão ser decretada e os meios de comunicação começaram a manipular os fatos. Segundo eles, o pobre sacerdote teria sido execrado da Igreja por defender as uniões homossexuais. Não é verdade. Padre Beto, com argumentos questionáveis, atacou com a ingenuidade de um neófito verdades caras ao cristianismo. Até o mais incauto dos cristãos não conseguiria levar a sério suas proposições. Tanto que a mídia não logrou o esperado, e a tentativa de transformá-lo em símbolo da luta contra a homofobia fracassou. O padre também foi um desobediente contumaz. Diante do pedido de retratação de seu bispo, deu de ombros, disse que era a Igreja que precisava mudar. Quanto a ele, seguiria sendo padre, do seu jeito... Não deu outra. O tiro lhe saiu pela culatra. Foi excomungado. O sacerdote do século 21, segundo ele mesmo afirmava, perdeu espaço, saiu de cena, ao menos na Igreja. Mas o caso padre Beto chama a atenção por trazer à tona um tema sempre colocado em questão para os que rezam pela cantilena dos ?sabichões sem conhecimento de causa?: os dogmas de fé. Não há dogmas ultrapassados ou atuais. Um dogma é uma verdade de fé fundamentado na Sagrada Escritura e na Tradição. Portanto, é perene. Não se trata de verdades inventadas por alguém ou pela Igreja. Por exemplo: para os cristãos Jesus é Deus; e para o cristianismo isso não se trata de um modismo, é uma verdade de fé. Para ser cristão verdadeiramente é preciso acolher esses dogmas e fundamentar a vida a partir deles. Quem não os acolhe, já não é cristão. Por fim, essas verdades não são propriedades da Igreja. São verdades reveladas por Deus, cuja plenitude encontra-se em Cristo. A Igreja é simplesmente serva e guardiã dessas verdades. Cabe a ela propô-las ao mundo. Quem as aceita, é cristão católico. Quem as rejeita, pelo próprio ato, já não mais faz parte dela. Padre Beto parece que não aprendeu isso nos tempos de seminário.