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Opinião

DIFICULDADES DE ACEITAR A REALIDADE

Três dias de descanso em um hotel à beira-mar, um mar de plácidas águas verde azuladas, foram o programa há meses aguardado. Muita gente estranha. Ah, deparo-me com um conhecido. O cidadão a que vou me referir, eu o conheci há um ano, em circunstâncias se

Por | Edição do dia 29/05/2013 - Matéria atualizada em 29/05/2013 às 00h00

Três dias de descanso em um hotel à beira-mar, um mar de plácidas águas verde azuladas, foram o programa há meses aguardado. Muita gente estranha. Ah, deparo-me com um conhecido. O cidadão a que vou me referir, eu o conheci há um ano, em circunstâncias semelhantes. Só que desta vez achei-o com a face cansada, ar abstrato, sinal de preocupação e estresse. Respeitei seu silêncio e aproveitamos o sol. Na manhã seguinte, ele se dispôs a falar. Sua esposa Márcia havia sido vítima de um assalto e tratada com extrema crueldade. E não era falta de cuidado. De muito tempo, eles vinham tendo cuidado nas saídas à noite, na ida aos bancos, nos passeios pela rua, já suprimidos. Mas vamos ao fato relatado. Sua esposa fora ao banco e voltava para casa quando numa rua estreita foi trancada por dois carros. Parou. Dois garotões deles saltaram, um deles quebrou o vidro do carro e encostou o revólver no seu ouvido. Agarrou-se à devoção de Nossa Senhora do Ó. Um vexame grande. Empurraram-na para o banco traseiro. Queria gritar, não tinha voz. Tomaram-lhe a bolsa, retiraram os cartões e exigiram as senhas. “Se as senhas não coincidirem, você vai passar deste mundo para o outro”. Duas horas, três horas, ela perdeu a noção do tempo. De repente, vozes altas, discussões, tiros, gritos de dor, e palavras de ordem que pareciam de policiais. “No chão, no chão”. Minutos de angústia. Depois, abrem as portas e os policiais lhe pedem. Saia do carro com as mãos para o alto. Explicações de sua parte. Convenceram-se de que ela não era assaltante e que fora vítima de um sequestro. Verificados os documentos dos agressores, ambos tinham 17 anos e 11 meses. Os cartões dela foram devolvidos. O marido se encontrava em Brasília. Chorou ao saber do acontecido; amor correspondido que permite sentir as angústias do outro. Muitos consolos de amigos e familiares, mas sobreveio nela uma crise de depressão. Resolveram passar uma semana nesse hotel. Um lugar bem longe para tentar esquecer o acontecido. Uma Pasárgada onde encontrassem a paz, essa Pasárgada a qual se refere o poeta Manuel Bandeira: “...onde podemos viver pelo sonho o que a vida madrasta não nos quis dar”. E sorrindo acrescentou: –“aqui sou gerente do banco solemar”. – Solemar? – Sim, gerente deste sol maravilhoso, do banco em baixo dos coqueiros e desse mar verde-esmeralda que a vista percorre até o infinito. Calamos em emoção.

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