Opinião
Uma jornada de f�, toler�ncia e cidadania
Neste dia de Corpus Christi, apresenta-se momento apropriado para um comentário sobre as expectativas da Jornada Mundial da Juventude, megaevento a ser realizado no Rio de Janeiro, no fim de junho, reunindo algo como 2,5 milhões de jovens católicos. Como fartamente anunciado, o papa Francisco estará presente ao evento, o que confirma a proeminência da reunião a ser acolhida pela Cidade Maravilhosa. Como se sabe, a Jornada foi criada por João Paulo II em 1985, e sua primeira edição foi em Roma, no ano seguinte. A partir daí, a cada dois (ou três) anos, o evento tem lugar num país diferente, sempre buscando se ajustar ao Domingo de Ramos. A agenda é diversificada, modelada para atender aos anseios típicos dos jovens e contempla catequeses, adorações, missas, momentos de oração, palestras, oficinas de arte, partilhas e shows. Na versão carioca, o evento reforçará uma tendência especial, merecedora de todo apoio: o ecumenismo. Jovens praticantes de outras religiões como judaísmo, islamismo, cultos afro-brasileiros, além de igrejas cristãs distintas como evangélicos e espíritas, articulam-se em apoio à Jornada. Uma das formas de congraçamento, de efeito muito prático, é a hospedagem. Jovens judeus, muçulmanos, evangélicos, espíritas, umbandistas etc., de fé, imanam-se no acolhimento, em suas casas, de jovens católicos que chegarão ao Rio vindos dos mais diversos países e de todo o Brasil. E além do abrigo aos viajantes, os jovens estão indo além, partilhando preocupações, esperanças e linhas de pensamento. Dois dias antes do início do evento será promovido um encontro paralelo com o objetivo de discutir e encaminhar propostas práticas para o aprofundamento do diálogo entre as diversas religiões. A ideia não é nova, lógico, mas chamam a atenção a dimensão gigantesca desse entrelaçamento entre crenças distintas e a oportunidade de sua multiplicação através de um evento internacional desse porte. Mais um belo exemplo ofertado pelos jovens em sua mobilização por valores intangíveis como a fé, e prática de valores universais como a tolerância e a solidariedade.