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POR QUE AS CRIAN�AS N�O V�O AOS MUSEUS?

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2.233 pessoas visitaram os museus do Comércio de Alagoas e de Tecnologia do Século 20 em 2012. Pelo menos 1.673 assinaram o livro de presença. A diferença são as escolas que, quase sempre, possuem um tempo apertado para visitar ainda outros equipamentos culturais. É claro que não se pode comparar ao eixo Rio-São Paulo. No entanto, o que por um lado nos anima é o número de visitantes, a maioria turista, um número muito acima do que representa a presença de estudantes nos museus. Em Alagoas, pode-se afirmar, sem receio de cometer injustiça, que mais de 70% da população em idade escolar, a partir do Ensino Fundamental, nunca foram a um museu. Sobretudo as escolas públicas, que não mantêm uma programação de atividades que incluam qualquer equipamento cultural. Os problemas são muitos, a começar pelo transporte. Algumas escolas, até mesmo de cidades próximas, se arvoram no transporte público, onde um professor herói traz as crianças, que chegam em situação lastimável. Mesmo assim, cansadas, e certamente famintas, ficam encantadas com o contato com os espaços, acervos, imagens, tecnologia, o próprio palácio e as explicações. Por incrível que pareça, um dos fatores que impede a visitação é justamente a hora da merenda. Isto porque para chegarem cedo, as crianças teriam que deixar para trás, muitas vezes, a única refeição do dia, e, após o lanche, fica muito tarde. Já sugerimos que os lanches acompanhassem as crianças e, após a visita, todos sentariam e comeriam juntos. Aqui, temos espaço de sobra. Mas nem sempre os tipos de lanches servidos podem ser transportados. É complicado! Professores, muitas vezes, vêm pessoalmente do interior, pagando a passagem do próprio bolso, para planejar a visita, agendar a data e tentar conseguir o transporte, por intermédio de algum político da região. Meu Deus! As coisas não podem funcionar assim. Isto nos constrange ver um professor precisar chegar a tanto para contribuir com a educação de seus alunos. Sinceramente, este não é um país do futuro. Hoje, o Palácio do Comércio possui um dos únicos museus com acessibilidade ao deficiente visual em Alagoas: o Museu de Tecnologia do Século 20. Onde está o cego que não vem ao museu? Na mesma situação, dependendo de políticas públicas para ter acesso à educação, ao transporte e a tantas outras necessidades, a começar pela mobilidade nas calçadas da caótica Maceió, permeada de desníveis, sem semáforos sonoros e sem respeito aos portadores de necessidades especiais.

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