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Opinião

Abandonando o monolinguismo

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Houve um tempo no qual o francês era a língua-ferramenta para as conversações internacionais, assim como durante muitos séculos o latim exerceu este papel fundamental para o entendimento universal. Nos dias em curso, esta é a missão do inglês ? ser o ponto de encontro, tradução comum entre línguas distanciadas entre si. É evidente que esta referência é política e não escolástica. O latim foi universal pelo peso do Império Romano. O francês predominou nos tempos onde Paris era o ?centro do mundo? e Napoleão não nos deixaria mentir. Por sua vez, o velho, e aparentemente simplista, inglês começou a se firmar antes mesmo da proeminência dos Estados Unidos, graças à força dos britânicos através de seu império ? tão vasto no qual ?o sol nunca se põe?, como se escrevia na época da rainha Vitória e por muito tempo depois, até as duas guerras mundiais das quais emergiu a superpotência americana. E assim caminha a humanidade, conversando entre falares díspares, desde priscas eras. Espernear (e ideologizar) nessa questão é pura infantilidade. Esta constatação nada tem a ver com a necessidade de cada sociedade humana defender apaixonadamente sua própria língua. Isto se trata de elemento primário na construção da unidade cultural de um povo. Mas é estupidez imaginar ser dispensável uma língua-referência como canal de comunicação internacional. Defender com todas as forças sua identidade linguística é uma coisa, outra é achar que ser monolíngue é algo positivo. Assim, apesar de atrasado, o Brasil avança quando universidades públicas e privadas implantam o uso do inglês em disciplinas de pós-graduação. Ao estabelecer a opção de uso de uma língua universal em suas salas de aula, o Ensino Superior brasileiro galga mais um importante degrau na interação com o mundo contemporâneo em termos de formação universitária. Essa política, que vem sendo executada sem alardes, contribui significativamente para consolidar a interação (em massa) dos estudantes brasileiros com resto do mundo.

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