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Opinião

OS QUE AMAM ALAGOAS

“Sobre Alagoas arqueia-se o mais bello dos céus,onde, no meio de uma polycromia encantadora, surgem configurações esplendidas de nuvens”. “O litoral do Estado apresenta quadros incomparavelmente empolgantes a que as dunas alvacentas,os coqueirais abretin

Por | Edição do dia 01/06/2013 - Matéria atualizada em 01/06/2013 às 00h00

“Sobre Alagoas arqueia-se o mais bello dos céus,onde, no meio de uma polycromia encantadora, surgem configurações esplendidas de nuvens”. “O litoral do Estado apresenta quadros incomparavelmente empolgantes a que as dunas alvacentas,os coqueirais abretinos,as barreiras avermelhadas, as embocaduras dos rios trazem notas de grande amenidade. Contemplando devidamente o mappa de Alagoas, parece que um certo número de fiords se abre entre S. Miguel e Coruripe”. “A esses paineis, cuja apreciação arrebata,juntam-se outros não menos attrahentes apresentado pela região do S. Francisco”. “Alli tudo se vê com extranha sensação de encantamento. A foz conturbada do rio,as gandaras que a ladeiam, a vegetação que debrúa o maravilhoso caudal, as ilhas que parecem caçoulas redolentes. Penedo, similhante a um presépio, lindas povoações miniaturescas, varzeas exuberantes de vegetação, arrozaes, montes avermelhados, rochedos negros, tudo isso torna mágica a paizagem do S. Francisco”. “A mata não é menos bella, com seu ar mysterioso. Nella a phantasia super-excitada pela grandeza das àrvores, o canto e a plumagem das aves, cria paços facultosos em que reproduzem todas as historias perturbadoras das Mil e uma noites”. Os parágrafos acima, transcritos em sua grafia original, são apenas pequeno trecho retirado da obra Vade Mecum do Turista em Alagoas, de Moreno Brandão, relançada essa semana, em primorosa edição fac-símile da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, presidida por Moysés Aguiar. Vim para um congresso médico em Fortaleza e aproveitei a viagem para me deleitar com a reedição dessa obra, pequena preciosidade, pois são apenas 46 páginas, lançada originalmente em 1937 e agora nos oferecida,muito pelo esforço,perseverança e dedicação do presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL), professor Jayme de Altavila, que teve apoio de Danielle Novis. Nesse pequeno tesouro, encontramos informações valiosas sobre nossa terra, entre elas: tínhamos então 1 milhão de habitantes e 36 municípios; a maior cidade era Maceió, com 125 mil habitantes, a segunda Atalaia, com 72 mil e a terceira, Viçosa, com 65 mil. Penedo é o município mais antigo. Produzíamos cana-de-açúcar, arroz, algodão, tabaco, mandioca, café, milho, feijão, fava, maniçoba e criava-se gado. Exportávamos peles, couros, carne seca, e éramos o segundo maior na colheita de peixes, só superados nacionalmente pelo Pará. Já existia uma escola de Direito, mas já se notava que o ensino e a instrução não eram o nosso forte. Brandão era tão apaixonado pelas Alagoas e pelo seu potencial turístico – e para isso descreve minuciosamente a geografia, o pitoresco e a cultura locais – que a acreditava “salubre para os europeus”, em uma aposta antecipada em nosso potencial natural. A ele se juntam, nessa oportuna reedição,que interessa a todos os alagoanos, Teotonio Vilela Filho, que faz a apresentação e Álvaro Antônio Machado, sócio efetivo do IHGAL, que perpetra um prefácio tão apreciável quanto a obra que ora nos chega às mãos.

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