Opinião
No horizonte, sinais dignos de nota
De brigadeiro ainda não está o céu, mas as nuvens mais pesadas começam a se dissipar ? mesmo que lentamente. Um dos alentos, sem dúvida, é o fato de o IGP-M (Índice Geral de Preços ? Mercado) ter sido freado em seu crescimento até então preocupante. O mês de maio registrou a estabilidade desse índice referencial, apontando para o estancamento do viés de alta que marcou o mês de abril. Segundo a Fundação Getulio Vargas, ?o IGP-M de maio [de 0,15%] ficou abaixo da mediana prevista pelas casas ouvidas pelo AE Projeções, de 0,04%, mas dentro do intervalo estimado, de -0,03% para +0,15%?. Bateu na trave, mas foi para a linha de fundo. Destrinchando-se o IGP-M em seus indicadores componentes, verificam-se quedas dignas de registro. No tocante ao Índice de Preços ao Produtor Amplo, o recuo foi da ordem de 0,30% em maio (abril já havia assinalado uma queda de 0,12%). Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor ? Mercado (IPC-M) cresceu 0,33% em maio contra uma subida de 0,60% em abril. Diz a FGV que ?os preços dos produtos agropecuários no atacado caíram 1,98% em maio, depois de registrar queda de 1,82% em abril. Já os preços de produtos industriais passaram de uma alta de 0,54% para avanço de 0,34% neste mês?. Em resumo, a escalada de aumentos de preços ? um dos fatores mais dolorosos de qualquer processo inflacionário ?, se não está debelada, está sendo enfrentada e, de alguma forma, os remédios estão surtindo efeito, mesmo que parcimoniosamente. Já na última pesquisa realizada no estratégico item da produção industrial, realizada no mês de abril, foi detectado um aumento de 1,8% na comparação com março deste ano. Ao se comparar com abril de 2012, o pulo é digno de nota: 8,4%. E o mais positivo nessa retomada é o fato de que essa alta está mais acentuada no setor de Bens de Capital (produção de máquinas e equipamentos para outras indústrias), com o mês de abril cravando um aumento de 3,2% em relação ao mês anterior e um salto de 24,4% em justaposição a abril de 2012. Nesse segmento vital, o aumento acumulado no ano, até agora, é de 13,4%. Não é céu de brigadeiro, é verdade, mas o voo já recupera sua estabilidade.