loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

S� OS RICOS V�O AO EST�DIO

Ouvir
Compartilhar

Um problema a merecer atenção é o dos custos excessivos do esporte. Se foi um avanço extraordinário acabar com a exclusividade do amadorismo nos Jogos Olímpicos, pois somente os atletas ricos podiam custear as competições, hoje os custos de preparação são altíssimos e proibitivos à grande massa de postulantes. No Brasil, nem os clubes nem as federações conseguem bancar a formação de equipes. A maioria dos que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro aplica no futebol de 58% a 122% da receita, em boa parte gerada pela TV, e não sobra um centavo para outros esportes. Fica para o Estado um papel que deveria ser supletivo mas termina sendo de protagonismo na habilitação de atletas de alto rendimento. Gesta-se assim um neomalthusianismo de novo tipo, que seleciona pela renda, um darwinismo financeiro em que vence não o atleta mais apto e sim o mais abastado. A ofensiva excludente estende-se agora aos estádios de futebol. A bilheteria das novas e belas arenas multiuso, reformadas ou construídas para as copas das Confederações e do Mundo, elitiza o público. O torcedor menos favorecido perdeu, em exemplo eloquente, o espaço democrático da antiga geral, onde o ingresso era mais barato. Recentemente, um jogo tinha entradas a R$ 400,00 e a mais barata a R$ 160,00. Só alguns milhares de privilegiados podem pagar os valores excessivos cobrados por um jogo de futebol. A indicar que nos estádios privados parece haver mais atenção com o problema, o Grêmio quer restabelecer atrás dos gols de sua soberba arena de 60.540 lugares uma área sem cadeiras onde o ingresso será mais barato. Os preços para jogos recentes da Copa dos Libertadores foram reduzidos, embora os ?populares? tenham custado R$ 80, ainda muito caros ? mais que os R$ 50 cobrados para uma apresentação de Roberto Carlos na arena gaúcha. A questão é se equipamentos construídos com apoio público, mas administrados pela gestão privada do futebol, devem cobrar preços da ópera de Londres. É de se estudar que ao menos 10% dos ingressos vão para o torcedor que não seja rico, equilibrando-se a receita com os mais caros. Num estádio de 60.000 lugares, 6.000 poderiam ser vendidos a ?preços populares?. Já temos um belo precedente a comemorar. O Ministério do Esporte conseguiu da Fifa uma novidade para a Copa do Mundo, que tradicionalmente tem ingressos mais caros: no Brasil, pobres e índios terão direito a uma cota de entradas gratuitas.

Relacionadas