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Opinião

O HOMEM E O TEMPO

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Bom mesmo seria se o tempo parasse, a vida continuasse esplendorosa, o cérebro lúcido guiando o corpo na direção da felicidade plena. Mas, se assim não é totalmente possível, cruzar a linha de chegada da terceira idade com alegria e saúde já vale muito a pena. É uma conquista que merece ser comemorada todos os dias. O número de idosos no Brasil cresceu cerca de 11 vezes nos últimos sessenta anos, passando de 1,7 milhão para 18,5 milhões de pessoas nessa faixa etária. Estima-se que em 2025 essa quantidade atingirá 64 milhões e em 2050, para cada três brasileiros um será idoso. Se o país vai estar preparado para esse avanço extraordinário da turma da melhor idade, é uma grande incógnita, principalmente no que se refere às políticas públicas no campo da saúde e melhorias da qualidade de vida. Envelhecer não mais é sinônimo de enclausuramento, melancolia e solidão quando uma simples aposentadoria já era o bastante para que a pessoa se sentisse inútil para vida. Os idosos de hoje são ativos, participativos e de intensa convivência social. Praticam atividades físicas, esporte e estão fortemente engajados no mercado de trabalho, antenados com o avanço da tecnologia. Já se foi o tempo em que os sexagenários se limitavam a uma cadeira de balanço, a tricotar com agulhas ou participar de rodadas de gamão regadas a bate-papo, recordando o que ficou para trás. Absolutamente isso é coisa de um passado distante. O nosso idoso contemporâneo é dinâmico, capaz de exercer suas atividades com altivez, criar, desenvolver, produzir. Não me refiro apenas a quem passou dos sessenta, mas aos que já ultrapassaram a barreira dos setenta, vivendo a vida com prazer, satisfação, alegria e sexualmente felizes. Não são poucas as pessoas que nos consultórios de terapeutas admitem que sua vida sexual melhorou substancialmente após os 60 anos. Nessa idade, conheceram uma libido que pensavam nunca existir. Mulheres que só sentiram orgasmo após os 50 anos. E pra isso não precisaram mudar de parceiro, pelo contrário, o mesmo companheiro ou companheira de décadas de convivência é uma fonte do prazer, companheirismo, afeto. Afinal, as pessoas nunca param de descobrir valores antes inimagináveis em alguém que a uma eternidade está ao seu lado. Quem disse que o idoso não pode amar, ter sentimentos, sonhar, sentir desejos por alguém? Evidente que o desempenho físico tem limites que a juventude desconhece, mas pode se apaixonar, namorar, fazer sexo. Onde tem saúde, equilíbrio emocional, existe vida. E onde tem vida, o amor aflora. Deus não determinou idade para homens e mulheres serem felizes! Por isso, joguemos de lado os preconceitos para assumir definitivamente que ser idoso não é se transformar em homens e mulheres vencidos pelo tempo, imprestáveis para a vida.

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