Opinião
Pavimentando o bom caminho para a �frica
Segundo alguns analistas, vive-se um tempo de ?africamania?, numa espécie de descoberta (tardia?) do potencial moderno de sua economia. China, Rússia e Índia têm se destacado nas incursões contemporâneas ao continente negro. E o Brasil não tem ficado atrás. Nos últimos anos, acentuou-se a tendência natural de empresas brasileiras e do próprio governo lançarem mão dos óbvios laços lusófonos, aprofundando e espalhando negócios com as ex-colônias lusitanas, especialmente Angola e Moçambique. Mas o Brasil, corretamente, não tem se limitado às identidades históricas e linguísticas, ampliando o raio de ação para nações formadas a partir de outros centros colonizadores do passado como Etiópia, Nigéria, Sudão, Quênia, Guiné, Tanzânia, Senegal e Gana ? considerados internacionalmente como ?mercados emergentes?. Vale a pena, neste caso, saudar a afinação entre as iniciativas governamentais e as ações desenvolvidas pelas empresas privadas brasileiras. Graças a essa harmonia entre a diplomacia e a economia, entre o público e o privado, o Brasil tem fortalecido seu papel no novo desenho das ?esferas de influência? no continente africano. Neste sentido, constituiu-se um gesto de acuidade política a decisão de cancelar ou negociar dívidas de países africanos para com o Brasil, numa contabilidade que pode alcançar a cifra de R$ 1,9 bilhão. Esse dispêndio (que dificilmente seria recuperado, mesmo em longo prazo) passa a ser visto como um investimento real, produtivo, pois alarga a receptividade aos projetos brasileiros em instalação ou já instalados n?África, como escreveriam os lusitanos. A medida, anunciada na recente visita da presidente Dilma à África, beneficia as relações brasileiras com 12 países: Congo, Tanzânia, Zâmbia, Senegal, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gabão, Guiné, Mauritânia, Sudão, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. Como consequência imediata, essa decisão proporciona aos bancos brasileiros financiar investimentos brasileiros na África e fomentar fluxo de comércio entre Brasil e África. Oxalá essa política siga adiante e crie condições para serem colhidos os frutos desejados num espaço de tempo menor que o previsto.