Opinião
O custo social dos inevit�veis reajustes
Além das tradicionais confusões e desencontros quando se trata de ajustar o preço das passagens nos coletivos, os dias em curso têm sido preenchidos com insistentes tumultos na capital paulista em cenas de violência que têm acendido a luz de alerta ao resto do Brasil. Ontem mesmo, ruas de Maceió foram palco de movimentações estudantis contra o aumento, mobilizando centena de jovens. Um pouco antes, a prefeitura maceioense já buscava adiantar-se à tendência de radicalização dos protestos e prometia melhorias para o transporte público. No dia anterior, havia sido a vez do Tribunal de Justiça cutucar a ferida. ?Aqui em Maceió, houve a judicialização [do valor da tarifa] por conta da omissão do poder público. Falta vontade política e a coragem de impor o que é dever do município. Enquanto isso, os empresários se sentem prejudicados porque dizem que o preço está defasado. Quando estamos falando em valor de passagem, não estamos discutindo aumento, mas falando de reajuste, de atualização de preço?, afirmou ? com clareza cristalina ? o desembargador James Magalhães em entrevista à rádio Gazetaweb. Este é o busílis: como tudo que tem preço, o cobrado pela passagem precisa ser reajustado pela simples necessidade de acompanhar a oscilação dos preços dos componentes do serviço prestado. E, salvo raras (praticamente desconhecidas) exceções, preço só ?oscila? para cima. Verdade é que transporte é concessão pública. E que, como tudo o mais, pesa especialmente mais forte no bolso de quem vive de salário. Mas os ônibus não circulam movidos pela justeza das bandeiras sociais, eles se movem, como tudo o mais, mediante um determinado preço. Valor este que nasce turbinado pela longa lista de gratuidades, o que compromete o equivalente a cerca de 60% do total das passagens pagas com algum tipo de redutor. Não existe forma de congelar os custos dos muitos itens das planilhas. O caso não se limita em achar ?inconcebível? um reajuste reivindicado. O desafio é conceber uma forma desse ajuste não ser simplesmente atirado aos usuários e aí é que entra o poder público municipal.