Opinião
Novidades na velha espionagem em massa?
Não fosse o turbilhão tecnológico, não haveria nenhuma novidade no processo de espionagem em massa que é apresentado como o ?mais novo escândalo do governo Barack Obama?. Nos Estados Unidos, desde março de 1935, muito antes da informática, John Edgar Hoover brilhava na invasão implacável, em massa, às informações privadas de um incrível número de pessoas. Definido pela revista Life como ?The Emperor of the FBI?, Hoover jamais poupou alguém da intromissão do birô de investigações, nem mesmo seus superiores hierárquicos (os finados irmãos Kennedy, por exemplo). Suas ?escutas? eram famosas pela tremenda abrangência. Sob sua batuta, tudo era gravado, copiado, fotografado, anotado, filmado... Que privacidade? Isto numa época onde o telefone usava magneto para as discagens, a fotocopiadora não existia e computadores eram sinônimo de máquina de calcular. Isto não é segredo. Nunca foi. Destarte, não há porque se surpreender com as denúncias de que os serviços secretos americanos estão monitorando civis em massa. Elas apenas confirmam o que o mundo todo já sabia. E qual a grande potência que pode abrir mão da bisbilhotagem massiva? Há pouco ? com toda a razão ?, o sistema de segurança americano foi duramente criticado por não ter acompanhado a contento os passos dos irmãos Tsarnaev. Isto não quer dizer que a cidadania aceite essa intromissão de cabeça baixa. Não. Protestar é preciso; processar os órgãos governamentais por toda e qualquer ilegalidade é questão basilar para a democracia. Indignar-se é preciso ? isto é certo. Mas insinuar tremenda surpresa com esse fato é pura infantilidade. Afinal, o Big Brother romanceado por George Orwell em sua obra de propaganda antissoviética se confirmou, na vida real, como modelo capitalista de intromissão na intimidade alheia. Isto vale para o entretenimento televisivo famoso em todo o mundo e voga para a concorrência empresarial, para a investigação policial cotidiana; e também para a velha e má espionagem pura e simples, é elementar. Quem, em sã consciência, acredita na privacidade inviolável nas redes sociais, e-mails, telefones, tablets e tudo o mais? Proteste! Mas é melhor se cuidar. Alguém está de olho em você.