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Opinião

O que mesmo quer dizer essa voz rouca das ruas?

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Enquanto uma onda de manifestações varre algumas das principais cidades do Brasil, os analistas de plantão imobilizam-se, perplexos frente a acontecimentos que desafiam os esquemas maniqueístas com os quais se acostumaram (ou se acomodaram) nos últimos anos. Para alguns, seria cômodo posicionar-se se a voz rouca das ruas pudesse ser direcionada contra uma única sigla e/ou grupo político/partidário. Esse simplismo se esfarela quando, por exemplo, no epicentro da agitação, em São Paulo, os manifestantes, simultaneamente, batem ao nos tucanos (governo estadual) e nos petistas (prefeitura). Para os idólatras da tecnologia da informação, as redes sociais seriam o mote, a causa, o animus diferenciador. Uma tolice, posto esses meios serem apenas instrumentos através dos quais fluem as motivações verdadeiras. Mobilizações maiores (como as Diretas Já) empolgaram muito mais milhões de brasileiros numa época onde nem telefonia móvel existia. O desafio é analisar além dos cartazes avulsos e das palavras de ordem cantadas em coro. Entender o que temos de novo (e de velho) nos protestos atuais é a questão. O fato inquestionável é que, via os meios de comunicação individualizados e popularizados, ficou mais fácil mobilizar. Mas as convocações só são atendidas quando em torno delas se estabelece interesses e objetivos unificadores. No caso, o primeiro mote é o aumento dos preços das passagens dos coletivos, seguido por um crescente brado dos que se sentem excluídos dos novos estádios para a próxima Copa do Mundo. No mais, a turma não sabe ainda por aonde vai, mas sabe que não quer ir pelos velhos caminhos que lhes seriam apontados por velhas e ?novas? lideranças. Desconsiderando a baderna e provocações explícitas, seria solução simplesmente não aumentar o preço das passagens? E quem arcaria com a defasagem de preços cravados nas planilhas? Sem falar que uma das reivindicações é zero como preço das passagens. Mais ainda: como resolver o problema de acesso aos estádios para todos os torcedores que desejem ver os jogos pagando o quanto quiserem pagar? Como se percebe, malgrado a empolgação das ruas, as soluções não são nada simples.

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