Opinião
M�sica e vibra��o
A música é uma das manifestações culturais mais marcantes do ser humano. Fenômeno universal, não há na atualidade uma única civilização que não domine e cultue sua própria musicalidade. A arte de combinar sons e silêncios me foi explicada por um professor de música, como sendo formada de melodia, harmonia e ritmo, sendo que cada um desses atributos mantém sua ligação especial com os seres humanos. A melodia, segundo ele, interage com os sentimentos; a harmonia, com o intelecto; e o ritmo, com os sinais vitais (batimentos cardíacos e pulsação). Tenho grande respeito por essa explicação, pois consigo perceber a interação desses elementos com o ser humano. É fácil perceber isto, basta que analisemos como uma melodia pode nos transportar para lembranças de um determinado passado trazendo cenas vivas daquelas situações, recordações de velhos tempos, amores e de antigas amizades que se perderam ao longo do tempo. Com meus netos, aprendi a ouvir e achar natural músicas que me impressionam ora pela beleza melódica, ora pelo mau gosto, mais barulho que propriamente música. Reconheço a importância da música na vida humana como um elemento de humanização, como instrumento educativo, como alegria e diletantismo. Numa reunião de amigos, ouvi de um deles uma observação que julgo pertinente: ?se eu pudesse viver a minha vida, novamente, eu teria como regra ouvir música e ler poesia, diariamente?. Entre médicos é comum o gosto musical. Refiro-me a médicos, embora inclua a diversidade de outras profissões. Noel Rosa, estudou medicina mas desistiu de ser médico para virar filósofo do samba; Capinan, o baiano, deixou a medicina e passou a ocupar a posição de um dos maiores letristas da música popular brasileira. Joel Belo, alagoano, pianista de escol, foi nosso colega dos bancos escolares da Faculdade de Medicina de Alagoas, deixando-a, para dedicar-se à música e ao piano. O médico e professor Ismar Malta Gatto, que foi presidente da Sociedade de Cultura Artística, nas décadas de 70 e 80, possui um acervo de músicas clássicas de nível internacional e tornou-se um grande divulgador da cultura alagoana. Na área terapêutica, a música tem aspectos tranquilizantes, utilizada em crianças com hiperatividade, adultos com depressão e grande número de moléstias outras. Em muitos casos, esse uso tem sido estendido às enfermarias hospitalares. Os Doutores da Alegria, grupo de voluntários que percorre setores hospitalares, possibilita às crianças e adolescentes internados, momentos de descontração e alegria, em meio à tensão do ambiente hospitalar e suas preocupações com doenças e enfermidades. Uma aura de otimismo e de esperança. A música não se explica, sente-se. As possibilidades de utilização da música com os seres humanos são infinitas.