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Opinião

QUANDO A INTOLER�NCIA � MAIS INACEIT�VEL

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A violência contra grupos vulneráveis ainda é uma realidade na maior parte do mundo. Seja contra minorias perseguidas como os homossexuais, seja contra maiorias como as mulheres, que ainda são subjugadas em algumas regiões atrasadas do planeta, o preconceito segue como um obstáculo à paz e a civilidade. Com medo e sem meios de se defender, muitas vezes as vozes da liberdade se calam. Em geral, o ponto de ruptura, aquele que ultrapassa todos os limites, se dá quando os molestadores usam sua arma mais terrível, a língua. Durante 18 dias e 18 noites milhares de pessoas acamparam na Praça Tahrir, no Egito, e de lá só saíram quando derrubaram o antigo regime. Logo após, infelizmente, a praça se transformou em um local de frequentes ataques sexuais. Só no dia do aniversário de dois anos da revolução, 18 mulheres foram violentadas. Foi a gota d?água. O novo governo conservador decidiu então se posicionar, culpando as mulheres. A maior autoridade policial do país foi a publico para declarar o seguinte: ?Às vezes, uma moça contribui 100% para o seu estupro?. No Afeganistão, a morte de duas irmãs no mesmo dia chamou a atenção para um grave problema do país, o suicídio de meninas. A mais velha das irmãs se matou porque tinha cometido um pecado mortal, arrumou um namorado, ela já tinha 25 anos. Os talebans logo apareceram para disser que a mais nova se matou de vergonha do feito da outra, quando na verdade, ela deixara um bilhete afirmando que não suportaria viver sem a irmã. Era amor. Na Índia, o ataque a uma jovem por diversos homens em um coletivo comoveu a sociedade. Pouco tempo depois, uma criança de dois anos foi abusada. Ela só foi salva dois dias depois, quando os pais ouviram seus gritos, que vinham da casa do vizinho. Mas o que realmente revoltou a população foi que nos dois casos, ao procurar a polícia, as famílias das vítimas foram orientadas a não prestar queixa. Para a jovem do ônibus, que depois terminou falecendo, chegaram até a propor que ela se casasse com um dos agressores. As recentes manifestações no congresso contra o pastor Marco Feliciano têm realmente um quê de antidemocráticas, mas são de certa forma justificáveis. O grito é por vezes a única arma dos oprimidos. Se toda manifestação de intolerância é sempre deplorável, as proferidas por aqueles no centro do poder são ainda mais indignantes e inaceitáveis.

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