Opinião
F�ria nas ruas. Mas contra o qu� mesmo?
No linguajar típico das redes sociais, ?fúria? ? palavra turbinada também pela disposição da seleção espanhola ? ganha ares ideológicos ao batizar o ânimo das massas ferventes nas ruas Brasil afora. Velozes e furiosos, brasileiros em êxtase midiático investem contra teóricos alvos ?politicamente corretos?, mas findam, inexoravelmente, por minar as instituições indispensáveis para que as bandeiras desfraldadas possam vir a ser alcançadas. É o radicalismo oco. Em relação aos gastos com a Copa do Mundo 2014, por exemplo, o ataque violento aos custos, a continuar na direção e sentido até então impostos, terá como resultado prático liquidar exatamente a parte dos projetos que mais interessa ao pós-Copa, ou seja, os trabalhos em infraestrutura e mobilidade que se arrastam (quando muito) a passo de tartaruga. Por que não investir bravamente pela conclusão, no tempo acertado, no padrão adequado, das obras (estradas, vias urbanas, aeroportos e demais metas apalavradas junto à Fifa) de indiscutível benefícios sociais? As lideranças politicamente identificáveis, e as bandeiras factíveis, estão sendo minadas com impressionante rapidez e excluídas da orientação das manifestações. O comando passa para ?objetos virtuais não identificados?, apenas distinguíveis através de grupos suspeitos como o supranacional Anonymous (estranhamente imune até aos competentíssimos órgãos de investigação americanos!...), especializado em sabotagens de realização complexa e onerosa. E mais, o traço comum que emerge dessas máscaras, sob discursos aparentemente anarquistas, é a atitude indiscutivelmente fascistizante. As autoridades constituídas, e não apenas os detentores dos poderes Executivo e Legislativo, têm de se conscientizar de que precisam proteger o Estado, as instituições brasileiras, os patrimônios público e privado, e os diretos dos cidadãos que não estão nas ruas a protestar. Saber o que, como e com quem negociar é apenas um primeiro passo; agir com firmeza e rapidez para apresentar uma ousada pauta de mudanças é o segundo passo. Sem isso, o país tropeçará feio e o resultado será ? como diz a filosofia popular ? ?além da queda, coice?. Ao fim e ao cabo, se os rumos não forem ajustados, o Brasil retrocederá inapelavelmente.