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Opinião

O GRITO DAS RUAS

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Não é retrocesso de vinte centavos no valor da passagem do péssimo transporte público que estimulou tudo isso. O brasileiro quer respeito, dignidade, cansou de demagogia, de tanta roubalheira, da orgia desvairada com o dinheiro público. Esgotou a paciência, não dá mais pra ficar ouvindo a conversa fiada de que o Brasil vai muito bem, obrigado. O manifesto foi lindo, inesperado pra muitos e mexeu fortemente com o sentimento de brasilidade de cada um de nós. O país já não pode mais esperar calado, omisso ao desprezo a que é submetida à sociedade no conjunto da obra. A mobilização precisa continuar se não nas ruas, mas nas cobranças, na resposta contundente que tem e deve ser dada nas urnas nessa importante eleição que se aproxima. Não pode mais haver indecisão no campo de ?guerra? contra uma democracia que privilegia uma minoria e aliena os infelizes. A imagem dos partidos e do Congresso é uma nuvem negra completamente distanciada da realidade de uma nação emergente que pretende ser uma potência social e econômica no mundo. É urgente a necessidade de uma reforma política ampla sob pena de não avançarmos no aperfeiçoamento do regime democrático, principalmente quando se observa que a atividade política está cada vez mais distante da sociedade civil. Aos pobres, criar-lhes oportunidade de emprego e não apenas distribuir esmola como moeda de troca pelo voto. Ensinar a pescar para que os pais de família comprem o pão com o dinheiro resultado do trabalho. É preciso dizer aos três poderes qual o modelo de país que esta brilhante e revolucionária juventude quer viver. O grito das ruas pede escola pública de qualidade com professores remunerados justamente, sem corruptos roubando a merenda da boca das criancinhas. O grito das ruas pede o direito à saúde pra todos, para os mais humildes que estão jogados no chão dos corredores imundos de hospitais sem médicos, sem remédios, sem esperança. Transporte para o trabalhador que anda apinhado em carrocerias de veículos imprestáveis impróprios para conduzir seres humanos. O grito das ruas pede ação das autoridades contra a violência e a droga que tiraram a paz de milhões de famílias. Clama por uma carga tributária menos cruel com o cidadão que deposita nos cofres do governo pelo menos quatro meses de salário por ano convertidos em impostos. O preço da corrupção no Brasil já é quase incalculável. Se transformado em benefício para a população, colocaria mais 20 milhões de jovens e crianças na escola; aumentaria em torno de 400 mil novos leitos nos hospitais; os investimentos em saneamento nas cidades poderiam crescer em mais de 100%. Números resultantes de um estudo feito pela Federação das Indústrias de São Paulo, concluindo que o prejuízo econômico e social da corrupção institucionalizada já beira a casa dos R$ 80 bilhões por ano. Com certeza, esse não pode ser mais o país dos brasileiros.

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