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Opinião

Hora das propostas ou da chance perdida

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De forma ousada e acertada, a presidente Dilma Rousseff convocou os principais detentores de mandatos executivos e abriu a discussão sobre o delicado momento político vivido pelos brasileiros com um conjunto de propostas ambiciosas, em consonância com os anseios nacionais. Esse rol de proposições gerou, e gerará ainda mais, acalorados debates. Se assim não fosse, algo estaria muito errado. Especialmente aqueles mais preocupados com seus futuros eleitorais imediatos se expressarão norteados por seus objetivos individuais buscando aproveitar-se do momento de ebulição para ?queimar? a presidente e seus aliados. Mas também isto não é novidade, faz parte do jogo (sujo) da política. O importante em tal cenário é fazer o debate avançar. E neste sentido, por exemplo, a OAB deu um primeiro passo, ao levar até o Palácio do Planalto proposta alternativa para a convocação do que se está chamando de ?Constituinte Específica? para a reforma política. Quanto maiores e mais aprofundados forem os debates, mais resultados o Brasil terá ao fim e ao cabo. Um dos riscos é o frêmito das ruas seguir se retroalimentando na atual profusão de bandeiras e proposições díspares, diluídas e ? mais das vezes ? antagônicas. Para o fantástico movimento de milhões protestando nas ruas, o pior que pode acontecer é ser cristalizada a tendência de dispersão dos interesses que animam milhões em marcha. Saber para onde estão marchando é simplesmente fundamental. Saúde, Educação, Segurança Pública e tudo o mais cujas deficiências indignam os brasileiros precisam ser traduzidas em metas, sob pena de nada de novo ser construído. A força de milhões nas ruas está empurrando o Brasil para uma grande oportunidade de equacionamento de problemas históricos (alguns que se arrastam há séculos). Esse impulso cidadão não pode ser desperdiçado, e não só as autoridades têm responsabilidades neste momento, pois às lideranças, ditas ?horizontalizadas?, das ruas está colocado o desafio de dizerem o que querem, unificando as demandas hoje expressas em palavras de ordem genéricas e em reivindicações individualizadas e inócuas, apesar de justas.

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