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Opinião

Golpistas de olho na for�a das ruas

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Inevitavelmente tumultuadora, a modalidade de greve dos caminhoneiros sempre provoca enormes prejuízos e quase sempre desperta suspeitas sobre as reais motivações, quando não assume a fisionomia de locaute. Como se sabe, o locaute (aportuguesamento do termo inglês lockout) é a greve patronal, um instrumento pouco valoroso de luta, que é ilegal na maior parte dos países. Essa modalidade de protesto é particularmente danosa, pois mormente provoca contra as populações alcançadas prejuízos imensamente maiores que quaisquer greves de trabalhadores. A recente sublevação dos caminhoneiros, centrada especialmente nas cercanias do principal porto brasileiro (Santos, em São Paulo), deixou no ar, além da fuligem dos postos de pedágio incinerados, um inolvidável cheiro de locaute. Ou seja, de um golpe por parte de estruturas empresariais poderosas que usaram os motoristas como bucha de canhão para bombardearem o já precário sistema de transporte de cargas no Brasil. O caráter da deletéria manifestação que bloqueou os acessos ao Porto de Santos (além de outros, em eclosões de menor monta) está sendo tema de investigação da Polícia Federal depois das denúncias apresentadas. Mas, independente dos resultados do inquérito sobre essa paralisação em si, o acontecimento desperta ainda mais a atenção dos bem-intencionados sobre as diferentes motivações que vicejam sob (e sobre) as recentes manifestações massivas de protestos no Brasil. Inegavelmente, a grandeza das ondas de protesto que sacudiram o Brasil, e podem voltar a se agitar a qualquer momento, despertou a cobiça dos oportunistas de sempre. Mesmo passada a crista da primeira onda, uma plêiade de ?surfistas? coloca-se à postos para aproveitar o embalo. No caso da cobrança dos pedágios, está em jogo a segurança jurídica de programas de Parceria Público-Privada, cujos contratos, se subvertidos ao bel-prazer de quem tem interesses comerciais contrários, causarão enormes prejuízos para toda a economia brasileira. Outras tantas bandeiras, de caráter nitidamente golpista, foram facilmente percebidas como infiltradas nas multidões. Estar atento às tentativas de manipulação sobre o movimento legítimo do povo em protesto é uma obrigação cidadã. E também uma das tarefas precípuas do Ministério Público.

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