loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O GRITO DOS M�DICOS

Ouvir
Compartilhar

Dois de setembro de 1981. O presidente, general João Figueiredo e o ministro da Saúde, Jair Soares, assinaram em Brasília, o decreto 86.329, criando o Conselho Consultivo da Administração de Saúde Previdenciária (Conasp), que era destinado a gerir a saúde dos brasileiros e era constituído por 15 membros. As 15 vagas seriam preenchidas por representantes dos ministérios da Fazenda, do Trabalho, das Confederações Nacionais do Comércio e da Agricultura, entre outros, e apenas uma vaga seria reservada para a área de saúde: um representante do Conselho Federal de Medicina, nome que deveria ainda ser aprovado pelos órgãos de segurança do regime. Era a época do ?Milagre Brasileiro?, ufanístico slogan que os militares usavam para alardear suas conquistas, junto com outro de inspiração fascista: ?Brasil, ame-o, ou deixe-o?. O decreto 86.329 constava de apenas duas páginas, mas embora vigente eufórica situação, evidenciava intenção única: gastar ainda menos recursos em saúde no Brasil. Nacionalmente, o decreto foi mal recebido. Mas em Alagoas causou uma grande e duradoura mobilização dos médicos, cujo sindicato na época era comandado por Júlio Bandeira. Outras lideranças médicas uniram-se na denúncia do que seria mais um atentado à saúde pública, entre elas, José Wanderley e Ednaldo Holanda, presidente da Sociedade de Medicina, que cedeu sua sede para as assembleias do movimento. Após intensa mobilização, o presidente do Conasp, dr. Aluísio Sales, no Rio, contrafeito, aceitou receber uma comissão representando o movimento. Composta pelo dr. Ib Gatto, Sérgio Barroso, Zé Bernardes, Júlio e na impossibilidade de Ednaldo, adoentado, representei a Sociedade de Medicina, onde era secretário geral. Fomos recebidos de forma arrogante e pouco pudemos falar: Sales, simplesmente ignorou nossas preocupações. Passados 32 anos, advinda a democracia e instalado um governo que em discurso político e social, é o oposto dos militares, a situação da assistência médica nacional continua igualmente dramática: a principal reivindicação do movimento que ocupa as ruas do Brasil é por uma saúde minimamente digna para o cidadão brasileiro. Embora truculento e autoritário, o regime militar jamais elucubrou soluções tão enganadoras quanto às propostas atualmente, entre elas a importação de médicos cubanos sem o exame de revalidação, sem equipes de apoio, sem material e sem equipamentos. Justíssimo, portanto, o protesto nacional dos médicos na quarta-feira passada. Aqui, novas lideranças como Fernando Pedrosa do Conselho Regional de Medicina, Cleber Costa, Wellington Galvão, veteranas incansáveis, como Ednaldo Holanda e José Medeiros, e ícones como Alan Barbosa, Alberto Cardoso, Chico Américo, conduziram a extenuante passeata que desceu pela Fernandes Lima, sob pesada e inclemente chuva; civilizadamente, sem bloquear o trânsito de veículos. Dividindo um guarda-chuva com o colega Jorge Luiz Soares, pelas sinalizações da população, constatamos emocionados e ensopados, que ela entende o que está ocorrendo. Os médicos foram às ruas, estão atentos e sensíveis aos clamores da sociedade, pois ninguém mais convive tanto com o seu sofrimento.

Relacionadas