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Opinião

Dinheiro p�blico por �gua abaixo

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Submersas, quando deveriam abrigar os desabrigados de cheias pretéritas, as casas lentamente edificadas rapidamente converteram-se em trágica ironia sobre a incapacidade de serem dadas respostas eficientes a tragédias antigas em Alagoas. Cheias não podem ser entendidas como novidade por aqui. Como tem sido falado, escrito e reescrito, as chuvas torrenciais são parte integrante do clima subtropical. Não há como evita-las, e derrota-las nem pensar. A questão, mais simples do que querem fazer supor as vãs filosofias das politicagens, é aprender a conviver com essa característica natural. As chuvas, em nosso clima, apesar de caírem torrencialmente em épocas definidas (junho/julho e janeiro/fevereiro), podem desabar a qualquer momento com mais ou menos intensidade. Não há como fugir delas. Daí estar minimamente preparado é o mínimo que se pode esperar do bom-senso. Não é difícil, mesmo a olho nu, identificar áreas propensas a inundações. Ribeiras, ravinas e depressões nos terremos, na maioria dos casos são acidentes geográficos facilmente identificáveis. Como se edificar nesses locais? Essa falha é compreensível quando se trata de construtores de baixa renda, pessoas que por absoluta falta de opção têm de levantar suas moradas em áreas onde ninguém mais deseja. Mas em se tratando de projetos de escola, realizados por empresas qualificadas e para os quais são destinadas adiposas verbas públicas e/ou privadas, erros como esse são indesculpáveis. Melhor dizendo: ?falhas? como essas precisam ser devida e rigorosamente averiguadas pelos poderes constituídos ? aí está um campo para o Ministério Público desempenhar seu papel, especialmente em tempos de empolgação pela derrubada da PEC 37. E, mais uma vez, aproveitando a oportunidade, é hora de ir além do que a remediação. A prevenção precisa ser afirmada como o grande objetivo. O esforço é evitar mais obras submergíveis, sejam custeadas por verbas públicas, pelo capital privado ou pelo suor dos menos favorecidos. A fiscalização é indispensável e os poderes públicos não podem atuar apenas no dia seguinte. Evitar erros (ou crimes) é fundamental.

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