Opinião
ENTRE A DESCULPA E O PERD�O
Em toda a Sagrada Escritura emerge a profunda convicção de que Deus é carinho, é misericórdia, é vontade e desejo de perdoar. Basta que nos reconheçamos pecadores, basta que lhe estendamos as mãos e ele está disposto a apagar os pecados que mancham nosso passado e ferem nossa consciência. Que palavras comoventes, que declaração de amor o Senhor nos faz: ?Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas! Sou eu, eu mesmo, que cancelo tuas culpas por minha causa e já não me lembrarei de teus pecados!?. Eis como o Senhor age conosco: desde que nos reconheçamos pecadores e lhe imploremos o perdão, ele nos perdoa, recomeçando de tal modo que nos renova completamente! Bem que podemos dizer: Senhor, teu amor me faz recomeçar! É assim: se formos cínicos, se dissermos: ?Não tenho pecado?, ficaremos sem o perdão; mas, se, humildemente, reconhecermos o que somos, pecadores, com o sincero propósito de emenda, o Senhor inclina-se para nós com o bálsamo do seu perdão. Aliás, toda verdadeira experiência de Deus faz que vejamos o quanto somos pecadores, o quanto pequenos e devedores diante do seu amor infinito! Eis o Deus da Bíblia: Deus imenso, Deus santo, mas Deus que na imensidão de sua santidade nos perdoa! Mas, atenção: Deus não desculpa o nosso pecado; ele o perdoa! Há diferença? Muita! Qual? Ei-la: desculpar seria fazer de conta que não pecamos, seria passar a mão na nossa cabeça. Primeiro, seria uma falta de verdade, um mascaramento da nossa realidade. Depois, seria nos desvalorizar, não acreditando que somos capazes de nos superar, de caminhar para o melhor, de crescer sempre mais em direção a uma plenitude, a uma maior humanização. Quanto ao perdão, é diferente da desculpa, é coisa de Deus! Perdoar é dizer: Erraste, mas eu continuo acreditando em ti; dou-te a oportunidade de melhorar, de crescer de ser mais maduro, mais livre em relação às tuas incoerências; eu perdoo porque espero muito de ti e sei que poderás crescer! Eis aqui o modo de agir de Deus: ele perdoa, é perdão. É assim também que espera que façamos com os outros. De modo particular, assim os pais deveriam fazer com seus filhos: menos desculpas e mais perdão, daquele perdão exigente, que aposta e faz crescer!