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Opinião

Ideias instigantes, apesar de antip�ticas

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Visitamos novamente o tema das ideias geradoras de acesas polêmicas. Proposituras inteligentes, ousadas. Mas, no caso presente, além de serem polêmicas, trombam com entidades corporativas visceralmente interessadas em defender o status quo ou apenas mudanças que atendam a seus próprios interesses. Das recentes propostas lançadas pela presidente Dilma Rousseff, duas se chocam com forças poderosas e correm o risco de sequer vir a ser entendidas corretamente pelas ?ruas (que estiveram) em fúria?. A primeira delas trata da elevação de nível para a pretendida Reforma Política. Quem mesmo se interessa por esse conceito expresso em maiúsculas? As alternativas sugeridas de Plebiscito e/ou Constituinte Específica podem representar a perda do poder controlador por parte das elites; não estão sendo digeridas pelos poderosos, nem empolgaram o povão. A outra propositura, voltada para um enfrentamento aos problemas nos serviços de saúde, segue o mesmo caminho. Esses projetos estão sendo surrados pelas entidades médicas em todos os níveis. Minados na gestação, tornaram-se sérios candidatos ao aborto em sua forma mais agressiva. Apesar do ímpeto e da participação impressionantes demonstrados nos dias de agitação, confirma-se a despolitização e a superficialidade do gigantesco movimento. O gigante dorme, como dantes. Quem sabe a movimentação daqueles dias tenha sido um sobressalto passageiro, apesar de nos dias em curso entidades sindicais ? buscando recuperar o atraso e a primazia nas convocações ? estarem se esforçando pela reconquista do posto de timoneiro da nau dos inconformados? Por mais erros e equívocos que possam ter as propostas apresentadas pelo governo federal, se não são ideais, são ideias a discutir. Afinal, por que não ampliar a extensão e a profundidade da reforma política com uma maior participação dos eleitores? Plebiscito e Constituinte Específica são, indubitavelmente, formas muito mais abertas e participativas. E por que não inovar com o preenchimento das vagas (recusadas pelos nativos) nos serviços de saúde oferecidas em áreas pouco atraentes com profissionais vindos do exterior? E por que não firmar um novo pacto com os recém-formados em áreas estratégicas (e não apenas a Saúde)?

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