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Opinião

SANTO – � propaganda?

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Após as recentes beatificações e canonizações de santos brasileiros ? e já era tempo para isso... ? está havendo uma verdadeira onda de dioceses e congregações religiosas querendo a beatificação de seus bispos e fundadores. Isso é ótimo como modelos de santidade a serem apresentados para estímulo e imitação do Povo de Deus. Mas, agora vem a pergunta: ?E basta propaganda?? Em primeiro lugar, a Igreja faz exame minucioso de todos os livros e escritos do candidato à honra dos altares. Diante de um tribunal, especialmente criado na diocese, testemunhas, cuidadosamente selecionadas, atestam sob juramento que o servo de Deus praticou em grau heroico as virtudes teologais da fé, esperança e caridade e as virtudes cardeais, prudência, justiça, fortaleza e temperança. Esse processo, uma vez concluído, é remetido a Roma, onde uma Congregação específica, a Congregação para as Causas dos Santos reexamina todo o processo diocesano. Com o feliz encerramento do processo canônico de Roma, o Servo de Deus recebe o título de Venerável. Passa-se então ao exame dos milagres atribuídos à sua intercessão. São geralmente curas com duas características básicas: terem sido recebidas pela invocação exclusiva do candidato e não terem nenhuma explicação científica possível. Há uma junta médica especializada em Roma, que examina cada caso apresentado. Hoje a legislação exige um milagre para a beatificação e outro para a canonização. Antes, eram dois para cada etapa do processo. No Nordeste salesiano, temos o Arcebispo de Fortaleza, Dom Antônio Lustosa, que João Paulo II na capital cearense proclamou como ?um santo e sábio Arcebispo?. Pena que tal afirmação particular do Papa não vale como declaração canônica de santidade... Convivi em S. José dos Campos, de 1947 a 1949, com um verdadeiro santo: o Venerável Pe. Rodolfo Komorek. Sua causa está concluído com pleno êxito. Tive a alegria de ler as sentenças dos nove juízes romanos, todas elas entusiasticamente favoráveis à declaração de santidade do ?padre santo?, como era chamado Padre Rodolfo em S. José dos Campos. A sentença final, favorável, é de 29 de novembro de 1994, assinada pelo Mons. Sandro Corradini, o Promotor da Fé, que leva no vulgo o nome de ?advogado do diabo?, porque tem por missão procurar possíveis defeitos na vida do candidato aos altares. Só falta agora o milagre. Daí se vê que não é a propaganda que faz o Santo na Igreja, embora ela seja necessária, e até imprescindível, para que a vida e as virtudes do candidato sejam conhecidas pelo povo de Deus e possa ele ser invocado como intercessor nas necessidades. Talvez seja isso que esteja faltando no processo do ?padre santo? de São José dos Campos e do arcebispo ?sábio e santo? de Fortaleza...

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