Opinião
M�es adolescentes
DOM EDVALDO G. AMARAL * Os números oficiais fornecidos pelo Ministério da Saúde são de estarrecer: em 2001, cerca de 700 mil meninas, entre 10 e 16 anos, deram à luz em hospitais da rede pública do País. Observação do mesmo ministério: mãe adolescentes, com menos de 14 anos de idade, têm de cinco a sete vezes mais probabilidades de morrer durante a gravidez e o parto, do que mulheres de idade entre 20 e 24 anos. Comum, também, é bebês nascerem dessas mães adolescentes prematuros e com peso inferior a 2,5 quilos. De 1993 para cá, informa ainda o ministério, o total de partos passou de 26.505 para 31.800. O salto foi de 611.608 para 673.512 no mesmo período. A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde de 1996 informava que 54% das jovens entre 10 e 19 anos têm baixa escolaridade e apenas 6,4% dessas jovens têm mais de nove anos de estudo. Certamente, a gravidez precoce é um dos fatores de afastamento da escola em idade tão jovem. E isso fica confirmado quando sabemos que, na áreaurbana, 24% das jovens gestantes declararam ter parado de estudar em virtude de estarem grávidas. A situação mundial vai na mesma direção. O Almanaque Abril 2002 informa: um a cada dez partos realizados no mundo é de mãe adolescente. Nos países menos desenvolvidos (e o Brasil estaria aí) um a cada seis nascimentos envolve adolescentes com idade entre 15 e 19 anos. O risco precoce da vida sexual ativa expõe a adolescente ao risco de contágio por doenças sexualmente tansmissíveis, entre as quais a Aids e, por isso, a ONU estima que, por dia, 500 mil jovens contraem alguma DST. Trágica conseqüência ainda da gravidez precoce, em nível mundial ? e podemos aplicar ao Brasil ? é o crescimento do número de abortos realizados no mundo. A mesma ONU calcula que 10% das gestações interrompidas violentamente ocorrem com as jovens antes dos 19 anos. Anualmente, mais de 4,4 milhões de jovens provocam abortos em condições sanitárias de pouca segurança. O jornal da diocese de S. Miguel Paulista, Voz Diocesana, em agosto deste ano, informava que o Brasil é hoje um país com 21.249.557 adolescentes, representando 12,5% da população brasileira. Desses, 49,6%, isto é, 10.546.557, são do sexo feminino. 13% das mulheres de 15 a 19 anos têm pelo menos um filho, o que representa um total de 1,1 milhão de mães jovens. É claro que bendizemos a Deus e, de todo o coração, louvamos o Senhor pela fecundidade da mulher brasileira. O que a Igreja só pode desejar é que a maternidade seja sempre mais apreciada e tida em alto conceito e que a mulher casada dê com sempre maior generosidade à Igreja e à Pátria filhos e filhas para sua grandeza e desenvolvimento. Mas o que preocupa é esse gravíssimo problema da gravidez precoce na imaturidade dos anos verdes. Quando metropolita de Maceió, em minha Carta Pastoral sobre a Família, em 1992, eu lembrava que o fato da gravidez de adolescentes de menos de 15 anos se andava repetindo com alarmante freqüência. Podiam-se apontar algumas causas, como o descaso familiar e a dissolução da família, agravados pela perniciosa ação dos meios de comunicação social (com a televisão entre os mais ativos). A chamada liberação sexual dos anos oitenta, a extrema permissividade com a total tolerância no lar e na sociedade, com os maus exemplos dos grupos de jovens, podem seguramente ser apontadas como as principais causas deste grave problema da gravidez precoce e dos conseqüentes abortos provocados. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ