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DILMA, TEMER E OS PENSADORES

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Egressa de uma constrangedora reunião com os prefeitos, quando mesmo liberando dinheiro graúdo, as vaias ecoaram acima das palmas, Dilma enfrentou uma quinta-feira, 11, desanimadora: a mobilização sindical convocada, com apoio estatal, para de alguma forma se contrapor aos movimentos sociais das ruas , foi frustrante. E a semana foi preocupante: derrubadas pelos próprios aliados, as propostas marqueteiras de Constituinte Exclusiva e Plebiscito, Dilma se volta para o que lhe resta de chances de supostamente atender às demandas das ruas, entre elas a questão da saúde pública. Teima em importar médicos, de preferência cubanos e brasileiros formados em faculdades desqualificadas na Bolívia, Cuba e similares, sem o Revalida, o que significa: sem avaliação adequada de competência para atender à população. Acrescenta ainda uma extensão do curso de Medicina de mais dois anos, totalizando oito, para os estudantes completarem seu curso no interior ou em serviços de urgência, onde se defrontarão com um horror de Joseph Conrad, quando, inexperientes, serão mais vítimas que solução. As mobilizações do dia 11, com a participação das engajadas CUT e UNE, mostram que o governo apela para manobras diversionistas: um esforço para mudar o foco dos protestos, embora com propostas legítimas, como jornada de trabalho e Fator Previdenciário, todavia, agora, sem envolvimento da população. Para enfrentar a crise, o governo usará tudo para conquistar a reeleição em 2014: pensadores, como Maquiavel, já preconizavam, em 1513, que os governos bem-sucedidos gastavam todas as suas energias na autopreservação, independente do caráter de suas ações. Marx, observando o funcionamento do Parlamento alemão, em 1840, notou que o Estado funciona basicamente para proteger aqueles que o administram. Engels expôs lógica semelhante do Estado em termos de uma proteção muito seletiva de grupos sociais ? sempre aqueles que controlam o próprio aparato estatal. Não existe registro de uma formação estatal que tenha como traço característico constitutivo essencial o bem do conjunto da população. Quem entra na gerência do Estado atua necessariamente para a sua manutenção, mesmo que isso seja contra o conjunto da sociedade ? e o militante partidário que disser o contrário estará necessariamente mentindo, o governo só se moveu em prol da sociedade, historicamente, quando esta se moveu contra o Estado, constrangendo-o de forma pacífica ou não. O governo Dilma enfrenta o pior momento dos dez anos de governo petista. Com a campanha eleitoral já deflagrada, a soma da fome dos aliados com os clamores das ruas e um cenário econômico desanimador cujas perspectivas são de agravamento, as soluções propostas, mostram que o sentido de preservação do grupo no governo é e será superior aos interesses maiores da sociedade. Único fato novo da semana: Michel Temer, desprezado e humilhado há quinze dias, agora valorizado, é o mediador junto ao Congresso. É o fisiológico PMDB assumindo posição prevalente? É imprevisível o que acontecerá.

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