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Opinião

Protestando com responsabilidade cidad�

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Indubitavelmente, foram empolgantes as jornadas de protestos que sacudiram o Brasil a partir da ?revolta dos 0,20?. Como bem se disse então, não se tratavam de apenas duas dezenas de centavos, mas eram berros vários que estavam presos nas gargantas e a hora de pô-los para fora chegara. Autointitulados donos da verdade vociferaram que ?o Brasil mudou? depois daquelas magníficas manifestações. Espontâneas em seu nascedouro foram habilmente instrumentalizadas por uns e outros; alguns souberam auferir conquistas de forma transparente e ética ao se lançarem com suas bandeiras em meio à multidão, como no caso dos ativistas do Ministério Público em sua guerra santa contra a aprovação da famigerada PEC 37. Ganharam, honestamente, a parada e, numa votação avassaladora, a tese de rejeição à Proposta de Emenda Constitucional que castrava o poder investigativo do MP. Mas nem todos agiram com a propriedade e a transparência dos integrantes do MP. Além dos baderneiros ? muitos nada espontâneos em suas incursões violentas ?, siglas partidárias e grupamentos outros tentaram, sem sucesso na maioria dos casos, surfar na crista do tsunami. De forma correta, sem subterfúgios, os diversos ramos do movimento sindical tentaram, anteontem, fazer uma manifestação nacional digna de nota. Em parte, tiveram sucesso, até por lograrem êxito, pela vez primeira em uma década, em unir as muitas siglas e tendências que buscam representar sindicalmente os trabalhadores do Brasil. Mas os resultados numéricos da mobilização deixaram a desejar. Talvez por isso em vários momentos o movimento da quinta-feira descambou, em mais de um Estado, para a simples bagunça e/ou para a imposição de prejuízos ao público, especialmente pelo impedimento ao trânsito nas rodovias e ferrovias. Desordem não é sinônimo de nova ordem, muito menos de progresso. No caso das grandes manifestações espontâneas, fragilizadas em seus rumos pela tal ?liderança horizontal?, a eclosão de atitudes violentas é menos grave, e mais compreensível, que nos protestos convocados de forma verticalizada, através de lideranças e entidades institucionalizadas.

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