Opinião
ULTRAPASSADOS? O C�U E O INFERNO PARA PENSAR...
Deixe-me provocá-lo, caro leitor meu! O que é o céu? Para além de qualquer descrição (que seria insuficiente e até errônea, pois descrevendo, estaríamos falando não da realidade do Além em Cristo, mas transformaríamos o céu num pobre aquém, num prolongamento do nosso mundo e desta nossa vidinha ? e o céu não é isso!) O céu é Deus ? e Deus como Se nos deu em Cristo! O Céu é estar no banquete eterno no qual Deus nos sacia de vida divina (esta Vida é o Seu Santo Espírito, que para nós brota da santíssima humanidade de Cristo glorificado), reclinando a nossa cabeça de peregrinos sobre o seio de Cristo (não mais o seio de Abraão, esperança dos judeus), como o Discípulo Amado na Última Ceia. O céu é Deus: é estar Nele, participar da Sua vida, mergulhar no mar sem fim do Seu coração! Se não formos orgulhosos e cheios de nós mesmos, bem que poderemos dizer assim: ?Deus Amado, Escondido e Revelado, Desejado com ânsia, Tu és meu céu, meu refúgio, meu remanso, minha vida, meu descanso e eterna felicidade! Ganhar-Te é viver de verdade, é o gozo da plenitude sem fim e sem limites!?. E o inferno, que tanto deveríamos temer, o que é? Esta realidade tremenda paradoxalmente não poderia jamais ser compreendida sem Deus, sem o infinito amor que Ele nos revelou em Jesus morto e ressuscitado. Se Deus é nossa saudade e nosso repouso, nosso destino e nossa plenitude, perdê-Lo é nosso tormento, nossa frustração radical, nossa depressão sem cura, nosso absurdo visceral. Deus é nosso inferno, pois o aconchego do qual temos saudade, para o qual fomos criados, que é comunhão que nos define como pessoas ? aconchego no Seu coração ? nós o perderíamos para sempre e veríamos que nossa existência tornara-se absolutamente vazia, absurda, sem sentido. Deus é meu inferno como amor perdido, distante, irremediavelmente frustrado. Não há inferno maior ? e não se pode imaginar o quanto tão grande seja! ? que ver o Amor e se perceber irremediavelmente excluído Dele; ver a Plenitude e saber-se para sempre longe Dela, conhecer e reconhecer Aquele que é mais íntimo de nós que nós mesmos e sabê-Lo eternamente perdido para nós! Como não se pode imaginar a alegria do céu, tampouco se pode imaginar a frustração danada do inferno... O inferno é, portanto, Deus perdido, Deus feito distante pelo nosso fechamento; o inferno é a ausência de Deus que nos centra, nos integra, faz-nos comunhão com Ele, conosco, com o cosmo, com os outros. Sem Deus, longe Dele, tudo se torna divisão (diábolos), tudo se torna incoerência, absurdo, total não-sentido, opacidade. por isso as imagens tremendas do inferno: fogo da Geena (que é para onde ia o lixo de Jerusalém), ranger de dentes, em que toda palavra, toda expressão de comunhão e comunicação é perdida, treva em que mais nada tem sentido... Com um pouco de humilde realismo, poderíamos clamar assim: ?Do fogo eterno, livrai-nos Senhor Deus, pela cruz e ressurreição do Vosso Filho nosso Deus Salvador!?.