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Espionagem contempor�nea e seus denunciantes

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Ainda na ordem do dia, a questão da espionagem ampla, geral e irrestrita através das redes sociais suscita uma polêmica indispensável à sociedade contemporânea. A violabilidade das mídias da moda, como telefonia celular e internet, não pode ser surpresa para ninguém. Afinal, não é de hoje que pululam informações sobre a alta performance dos hackers, quando não de simples quadrilhas especializadas em roubos através dos meios eletrônicos. Neste campo, nada é novidade, há muitos anos, desde o uso de elementares ?chupa-cabras? incrustrados nos terminais eletrônicos até o desenvolvimento de sofisticados softwares capazes de assaltar altas somas e dados pessoais dos usuários dos serviços da web. Se ladrões comuns têm tal desenvoltura, o que não se esperar dos organismos especializados em espionagem? De um momento para o outro, a sociedade culta e informatizada parece esquecer que a própria rede mundial de computadores, a popular internet, foi desenvolvida a partir de objetivos militares e de inteligência estratégica. Em se prestando atenção à história recente, mais cuidados poderiam estar sendo tomados e menos surpresas abalariam as almas pulcras de nossos contemporâneos. O que o ex-agente Edward Snowden denuncia merece exclamações de surpresa apenas pelo fato dele, um servidor dos serviços de espionagem americanos, tê-lo feito. No popular, o cara agora está lascado. Os dissidentes do império americano não têm guarida segura em nenhum lugar do globo. Dois outros atrevidos, que o antecederam em gestos de dissidências, estão em maus lençóis. O soldado Bradley Manning e o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, um preso nos Estados Unidos e outro refugiado na Embaixada do Equador em Londres, são duas vítimas exemplares. Ao contrário dos dissidentes cubanos, por exemplo, pelos quais o ?mundo democrático? se indigna e se mobiliza e oferece asilos a perder de vista, ninguém ousa se solidarizar com quem afronta a Casa Branca. Em tempo, pergunta-se: cadê a ONU? Onde está a Anistia Internacional? É triste, mas, nesses casos, nem a turma defensora dos animais em extinção se atreve a dizer alguma coisa.

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