Opinião
TRAG�DIAS DO DIA A DIA
Bertold Brecht, dramaturgo e poeta alemão, conta uma historieta: ?Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada...?. Estamos indiferentes a essas tragédias que ocorrem no dia a dia? Estamos apenas consolando nossos irmãos e irmãs vítimas dessa violência. O que fazer? Quanto mais recrudesce a onda de violência, principalmente nas grandes cidades, envolvendo jovens abaixo da faixa etária dos 18 anos, mais aumentam os debates sobre o problema da maioridade penal. Até que idade pode ter o adolescente condescendência para assaltar, roubar, estuprar, matar? A partir de quando tem consciência do desvio de conduta? Esse assunto voltou à pauta esta semana quando autoridades locais se declararam contrárias à mudança da legislação vigente. Dividem-se as opiniões para fixar em 16 anos a responsabilidade penal do agente. Se, com essa idade, o adolescente pode votar, por exemplo, é porque o legislador reconhece que ele tem poder de discernimento, o suficiente para distinguir o bem do mal. Essa e outras observações foram expostas na reunião de amigos no final de semana, pelo companheiro e intelectual Porfírio. Tento resumir suas opiniões. Diz: Nesses últimos trinta anos evoluíram os costumes sociais e a mocidade brasileira adquiriu mais consciência do certo e do errado. Os meios de comunicação, que há 60 anos se restringiam a poucas emissoras de rádio em poucos lares, hoje formam, deformam, educam, deseducam. A TV, entrando em nossas casas com seus questionamentos, com diálogos por vezes insólitos, traz informações acerca de tudo o que se passa no Brasil e no mundo, com exegese do fato da notícia; consegue, com tudo isso, tornar o jovem de 17 anos mais esclarecido do que a geração anterior. Quem conversa sobre o assunto com um policial, decerto ouve que é comum nas delegacias, ao ser preso em flagrante delito por crime, às vezes, bárbaro, o adolescente exclama como escudo de defesa: - Eu sou menor! A punição é fator de diminuição da criminalidade, conclui Porfírio. Prevenção: a resposta é educação. É tentar afastar os jovens das drogas e do crime. É a cumplicidade e o diálogo na família. E a escola participando ativamente da formação. Esse é um assunto polêmico, que divide a sociedade brasileira.