Opinião
Expectativa de vida e realidade alagoana
Segue no rol dos fatos mais preocupantes nos últimos anos em Alagoas o aumento dos números negativos relacionados aos problemas na área social. Como se já não bastassem os clamores da população quanto à falta de respostas sérias para as carências gritantes no tocante ao ensino e à assistência à saúde em todo o território alagoano, o Estado aparece de maneira das piores nos noticiários mais recentes sobre as condições de sobrevivência das pessoas. De acordo com estudo desenvolvido pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, enquanto em dez anos, no Brasil, a expectativa média de vida de homens e mulheres aumentou de 68 para 74 anos, o número de incapazes entre 60 e 64 anos subiu de 27% para 32%. Segundo o mesmo levantamento, a diferença entre os idosos de 70 e 74 anos foi ainda maior: de quase 30% para 40%. Somente estes números bastam para as cobranças de investimentos voltados para a melhoria das políticas de saúde pública, mediante ações preventivas de doenças crônicas e outros programas, sobretudo os que podem ser direcionados aos idosos. Em nosso Estado, os desafios neste terreno, como sabemos, são mais graves, como podem ser comprovados pelos descontentamentos de setores expressivos da sociedade. Se, em relação à saúde pública, a realidade vivenciada pelo alagoano é alarmante, mais inquietante ainda é quando os indicadores sociais dizem respeito à segurança pública, ou insegurança pública, para sermos mais exatos. Aqui, segundo levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e a cerca do qual soubemos em informações da Agência Brasil e repercutidas pela Gazetaweb no último fim de semana, a expectativa de vida diminuiu mais de dois anos por causa de vários fatores, entre os quais estão os homicídios, acidentes e suicídios. Com destaque para jovens de jovens entre 15 e 29 anos no segmento mais pobre da coletividade. E todos estes problemas, como o próprio o povo é sabedor, têm aumentado em decorrência, principalmente, da falta de tratamento direcionado ao bem comum. ?De acordo com o Ipea, informa ainda a Gazetaweb, os homens de Alagoas têm perda de 2,62 anos em sua expectativa de vida. No Espírito Santo, a perda é de 2,14 anos. Outros nove Estados têm redução de mais de 1,5 ano na esperança de vida por causa da violência na juventude: Bahia (1,81 ano), Amapá (1,74), Pará (1,73), Paraíba (1,69), Paraná (1,68), Pernambuco (1,66), Ceará (1,6), Goiás (1,53) e Mato Grosso (1,51). Apenas três Estados têm perda estimada menor do que um ano: São Paulo (0,78), Acre (0,95) e Santa Catarina (0,98). No Rio de Janeiro, a perda é de 1,32 ano e no Distrito Federal, 1,42?.