Opinião
Trag�dia anunciada
Um relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), serviço ligado ao Ministério das Cidades, revelou que, em 2013, o Brasil desperdiçou 37% de toda a água tratada em 2013. Em Alagoas, esse índice chega a incríveis 46%. A principal causa que o SNIS aponta para a água que não chega ao consumidor são vazamentos em adutoras, redes, ramais, conexões e reservatórios. A constatação ocorre no momento em que o Brasil, apesar de possuir o maior volume de água doce do mundo e uma grande disponibilidade hídrica per capita, sofre de escassez e vive a maior crise de abastecimento de sua história. A falta d?água deixou de ser um problema do semiárido nordestino para atingir o Estado mais rico e populoso da Federação e até mesmo o rio da integração nacional, o São Francisco. A produção econômica já está afetada pelo aumento do custo da energia elétrica, em decorrência do uso continuado das termelétricas. Para os especialistas, a atual crise hídrica é apenas um alerta. Situações piores podem acontecer nas próximas décadas, caso não diminuam as agressões à natureza e não se repense o atual modelo de desenvolvimento. O problema, influenciado pelas alterações climáticas e hidrológicas, é agravado pelas mudanças no uso do solo, pela urbanização intensa, pelo desmatamento em regiões de mananciais e, principalmente, pela falta de saneamento básico e tratamento de esgotos. A superação do atual quadro depende muito do regime de chuvas, mas as ações futuras devem se basear numa adequada avaliação da realidade. Entre as recomendações feitas por cientistas estão modificações no sistema de gestão de recursos hídricos, implementação de planos de contingência; drástica redução do consumo de água e outras medidas emergenciais, investimento em medidas de longo prazo; projetos de saneamento básico e tratamento de esgotos; monitoramento de quantidade e qualidade da água; proteção, conservação e recuperação da biodiversidade; e reconhecimento público e conscientização social da amplitude da crise. Infelizmente, a questão foi tratada de maneira superficial na campanha eleitoral de 2014. Espera-se que governos, gestores e consumidores realmente compreendam a dimensão da crise. As soluções passam pelas mesmas recomendações que vêm sendo feitas há anos por especialistas.