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Opinião

UM PA�S QUE PENSA GRANDE

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Depois da onda de turbulências causadas pelos protestos em massa da população brasileira, os três poderes se inquietaram. Primeiro, porque as causas tão diversas feriam a elite à bordoada. A azáfama da moralidade ensejou votação de projetos polêmicos, o que não acalmou os ânimos. A promessa da reforma política, proposta através de plebiscito pela presidente Dilma, espalhou querelas por todas as esferas dos poderes. E sua popularidade caiu. O Brasil é um país que pensa grande demais quando se trata da máquina gastadora nacional. Por isso se torna tão fácil propor consultas públicas ou importar médicos para uma saúde pública doente, quando o mais lógico seria contratar pajés e rezadeiras que não precisam de hospitais, equipamentos, nem de remédios. O mais interessante em tudo isso é que, de norte a sul, cada alma pode contar os problemas do Brasil. Nenhum deles é mais gritante do que a corrupção. E pior, muito pior, é a impunidade. Vivemos em dois ?Brasis? separados: um que produz e outro que gasta. Um que gera riqueza, outro que fomenta a miséria. Lamentavelmente, nem diante de toda esta manifestação nacional os políticos perceberam ainda que o ?mandato? que eles tratam por ?seu? pertence ao povo. E o povo parece que, pela primeira vez na história, acordou e viu que em nenhum momento sua voz prevaleceu no Parlamento, porém os interesses particulares, o escambo e a troca de favores. Se as manifestações não atingem a blindagem da cúpula, causa um grande prejuízo à economia. E ninguém pense que o prejuízo à economia fica por conta do vandalismo pontuado em algumas manifestações. Temos tido exemplos de passeatas totalmente pacíficas sem qualquer incidente. E temos lá nossas dúvidas se as atitudes terroristas divulgadas em todas as mídias são obras acéfalas ou não servem para confundir a opinião pública. Quem não gostaria de num momento desses patrocinar esta causa? Faltariam interessados? Afinal, o limiar entre o céu e o inferno tem sido tão evidenciado ultimamente que ?mocinho? e ?bandido? são só uma questão estratégica. Quando isto tudo passar, o Brasil deve aprender a lição, e, mais ainda, não vai esperar que tudo venha se resolver com o afago costumeiros às urnas. Fazer pensar é pior do que dizer o que se pensa. O país se fez pensar nos últimos dias. Mesmo quem sequer militou na mesma ordem, assistiu de soslaio, da janela de um edifício, acenou com mão ainda tímida, mas não achou em vão os protestos.

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