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ROUBARAM O A��CAR DO P�O

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Completados mais de 15 anos desde a última visita, retornei ao berço em que nasci e vivi até os 12. O tempo foi se encarregando de tornar as viagens para lá cada vez mais distantes umas das outras. Voltei a Pão de Açúcar, na última semana, por um motivo nada agradável, acompanhar o funeral de um ente. Juro que senti tristeza em dobro, pela despedida eterna da minha tia e pelo estado de abandono que meus olhos e olfato viram e sentiram. Pão de Açúcar, cidade ribeirinha à margem do São Francisco é a mais romântica e encantadora que existe em Alagoas. Que me desculpem as outras também belas, mas a terra de Jaciobá é exclusiva. Sua geografia encravada entre areias do Velho Chico, lagoas, serras e morros esculpidos em pedras pela mão da natureza fazem do lugar um cenário mágico, inspirador para poetas e artistas da pintura. A expectativa do reencontro foi frustrante. Senti-me traído, envergonhado ao ver nos logradouros principais do centro o esgoto escorrendo a céu aberto. A tradicionalmente chamada ?Rua da Frente? de onde se contempla a paisagem do rio, além de mal cuidada estava invadida por cadelas vira-latas no cio disputadas por uma matilha de machos se agredindo pela chance do primeiro bocado. Lá existem belos casarios que estão se destruindo pela ação do tempo sem que haja qualquer sinal de presença do poder público. O que ainda resta do patrimônio histórico é um desleixo só. Alguns desses prédios poderiam ser transformados em espaços de atividades culturais para os jovens como biblioteca pública, museu, feira de artesanato, que é uma vocação da região. No Campo Santo, para me aproximar do jazigo dos meus avós não foi nada fácil porque os acessos estão tomados pelo mato. Falar de escolas, postos de saúde, trabalho e tantas necessidades básicas das comunidades é querer muito dessa gente que rouba a esperança, os anseios das crianças e da juventude desamparada. Rouba o direito das pessoas viverem como cidadãs. Rouba o açúcar que poderia adoçar a vida tão simples e resignada de um povo, que na sua humildade só aprendeu a ser submisso em troca de quase nada. Isso é um exemplo clássico para entendermos por que tantos prefeitos e vereadores estão diariamente nas páginas policiais por improbidade e peculato. A bela Pão de Açúcar é apenas mais uma entre tantas cidades de Alagoas traída pela soberba de filhos desencaminhados que apenas usaram o voto dos ?inocentes? para se revezarem no poder, exibindo debochadamente o troféu da malandragem.

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