Opinião
CONTRIBUINDO COM A NA��O
Todo filho da pátria brasileira tem o dever cívico de se alistar nas forças armadas ao completar 18 anos. Ao participar da seleção para o serviço militar obrigatório, uma eventual convocação pode atrasar planos preestabelecidos por esse jovem, mas ao menos, findado o período, ele terá a certeza que cumpriu integralmente seu dever com a nação. A partir daí, a equação se inverte e é o governo que vai servi-lo, oferecendo serviços públicos essenciais e, eventualmente, servindo como um belo empregador, que lhe oferecerá emprego com estabilidade e remuneração que, em geral, é 50% acima da média do mercado (com tristes exceções, como as pífias remunerações dos professores). Mas isso não vale para todos. Se esse jovem se tornar um estudante de medicina, terá de participar de mais um alistamento obrigatório, para novamente servir ao seu país, por mais um ano. São praticamente os únicos entre todos os cidadãos brasileiros que são convocados novamente. Passada essa fase, metade dos formandos fará residência médica. E são justamente esses pós-graduandos, agora acusados de elitistas e mercenários simplesmente porque querem estudar e aprender mais, que impedem que a saúde pública se torne um caos ainda maior do que já é. É que inacreditáveis 70% dos atendimentos nos hospitais públicos brasileiros são feitos por médicos residentes. A residência médica é um programa que dura de 3 a 6 anos, e no qual os candidatos a especialista deverão trabalhar no mínimo 60 horas semanais. Essa é a maior carga de trabalho dentre todos os trabalhadores brasileiros, reconhecida pelo Ministério do Trabalho. Para executar essa carga horária recorde, muitas vezes com plantões de até 36 horas consecutivas, esses profissionais recebem uma bolsa que é de 10 a 20 vezes menor que a remuneração do mercado. E não se engane: a maior parte dessa carga é de trabalho puro e simples, de generalista, não tem nada de aprendizado. São anos difíceis vividos, via de regra, bem longe da sua terra e de sua família. Hoje em dia, os médicos já são de longe a categoria que mais retribui à sociedade a formação que recebe, seja na graduação, ou na especialização. Por isso a indignação e o sentimento de traição dos médicos quando ouvem do ministro da Saúde que ?os médicos precisam retribuir à sociedade?. Nós já o fazemos, senhor ministro. E, talvez, por enquanto, ainda sejamos praticamente os únicos.