Opinião
PAPA FRANCISCO E A JORNADA DA JUVENTUDE
Adolescente, morava em Penedo, família religiosa e frequentadora do templo católico, no momento em que se realizava o Congresso Eucarístico Nacional em Recife. Lembro a música: ?Aos clarins do Congresso Sagrado/ Pernambuco de ergueu varonil/E o Recife se fez lado a lado/Catedral onde reza o Brasil?. Cantei muitas vezes este estribilho e aí tive minha primeira decepção religiosa. Quatro estudantes foram selecionados para compor a delegação que iria ao Congresso. A escolha passou longe de mim. Consolo de minha mãe: ?Você é muito fracote para andar nesses movimentos?. O Congresso era coordenado pelo arcebispo dom Hélder Câmara. Lembrei d. Hélder, pois suas ideias estariam na vanguarda dos ideais do papa Francisco, voltado para o que ele chama de periferias da existência. Mas as mudanças gradualmente anunciadas por ele são novidades para a maioria do fiéis que não o conhecia. Os Jesuítas são bem preparados na teologia e na ação pastoral. Em 1966, participei de um curso de Pneumologia e Alergia na Policlínica geral do RJ. E vi no quadro de avisos que, à noite, estaria sendo realizado um curso prático de Psicologia Experimental. Inscrevi-me e tive uma surpresa. O jesuíta Marcelo Desmarais, doutor em Filosofia e Teologia pela Universidade de Paris, era um extraordinário professor. No final do curso, percebi que haviam mudado muitas de minhas concepções, no modo de ver a vida e as pessoas. Busco minhas amarrotadas anotações no capítulo da influência do psíquico sobre o físico. Ele aconselhava: elimine os pensamentos negativos, tudo o que for pessimismo, complexo de inferioridade, rancor, vontade de vingança. Porque todos esses estados psíquicos serão traduzidos na realidade por atitudes corporais correspondentes. Alguém que se convenceu que não vencerá na vida, não vencerá provavelmente. O corpo pôr-se-á no diapasão da alma. Muito espero do papa. De seu carisma, bom humor, discurso simples e pouco convencional. Isto facilitará sua comunicação com a juventude bombardeada pela tentação das drogas, violência, descrença da sociedade. Que suas palavras tragam incentivo à espiritualidade, ao humanismo, à esperança, à crença e aos valores éticos indispensáveis ao bom viver cristão. Em síntese: um abraço de fraternidade. E que as palavras do pastor sirvam à juventude para que consigam afrontar com coragem, fé e confiança as dificuldades de vida cada vez maiores.