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Opinião

A FEIRA E A MISSA

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Os afazeres me justificaram ficar ausente por anos seguidos de figurar na feira livre da Viçosa. Neste julho, sábado chuvoso, me pus a pé a enveredar por entre bancas e ?tordas?. Perguntei-me o que estaria acontecendo. Estaria se passando um lapso e aquela não seria a feira de sábado? Não seria aquela a feira da Viçosa? Reencontro de amigos num ambiente da infância agora um pouco estranho. Opinião dividida com alguns: feira vazia (ou fraca). A feira se punha diante de mim cheia de espaços vazios onde antes mal se podia andar. Vazia de gente pra vender, vazia do povo pra comprar, vazia de arte. Feira, livre dos bordões dos vendedores. Livre de alegria. Num retorno triste pra casa, me perguntava o que estaria acontecendo. Feira antes desordenada, agora com controle de trânsito, guarda municipal, vigilância sanitária. Tudo isso deveria ter melhorado o famoso comércio ao ar livre da Viçosa. Alguns falavam da mudança das feiras das cidades vizinhas para o sábado. Por certo essa mudança tem um peso, sim, mas não de um todo. Esse esvaziamento ao que me consta não ocorreu repentinamente, nem tão pouco atrelado às mudanças das feiras vizinhas do domingo para sábado. Bem, ou mal, comprei na feira. Pensativo com o esvaziamento da feira, fui à missa dominical. Depois de estar afastado por motivos diversos e não justificáveis, atendendo ao convite de amigos para integrar um grupo musical a fim de levar música à celebração da palavra, estava eu, num domingo de julho de volta à Igreja. Minha vizinha. Cenário de minha infância e juventude. Cenário de amadurecimento e aprendizado. Velhos e bons tempos. Mais uma vez, me vi surpreso. O templo está maravilhoso. O projeto arquitetônico do meu tio Abel recebeu incrementos. Tudo de primeira. Tudo bonito. Lindo de ver. Bem iluminado. Feliz com o que vi. Mas cadê o povo? Cadê a igreja lotada de antes? Cadê a energia dos fiéis? Foi esta substituída pela energia elétrica dos lustres? Cadê a voz do povo entoado cantando? Será que se andou falando em línguas que não são as do povo? A voz do povo não seria a voz de Deus? Será que a voz de Deus está sendo a voz do povo? Será que nos tempos de missas transmitidas pelo rádio está se perdendo a sintonia? Triste. Sem trocar minha fé por outra fé, senti falta de muita coisa. Senti falta enquanto estive longe, mas senti muito mais enquanto lá estive. Na igreja me senti como na feira. Vazio. Igreja vazia (ou fraca). Templo vazio. Minhas palavras agora se esvaziam pra que eu possa me renovar e buscar encher-me de fé. Amém.

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