Opinião
O IOR � NECESS�RIO OU DISPENS�VEL?
Em primeiro lugar, vejamos sua origem histórica e finalidade. A sigla IOR quer dizer ?Instituto para as Obras de Religião?. Não confundir com o Banco Ambrosiano, de Milão, com o qual o IOR, infelizmente, andou se envolvendo em operações pouco limpas nos tempos do arcebispo Marcinkus. O IOR foi criado em 1942, absorvendo a ?Administração das Obras de Religião?, que havia sido instituída por Leão 13 em 1887. Foi reformado ainda por João Paulo 2º em 1990. Sua finalidade é prover a guarda e administração dos bens móveis e imóveis, destinados às obras de religião ou de caridade em toda a Igreja, controlado por comissão de cinco cardeais, presidida pelo secretário de Estado e presidência própria. Em uma missa celebrada na Domus Sanctae Marthae, disse o papa Francisco: ?Estão aqui alguns do IOR e que eles me desculpem, mas devo dizer que tudo é necessário, mas até um certo ponto. A Igreja não é uma ONG, mas é uma história de amor. Por isso, o IOR como os outros organismos vaticanos são necessários como ajuda a essa história de amor. Mas quando a organização toma o primeiro lugar e desaparece o amor, a Igreja, pobrezinha, torna-se uma ONG, isto é, vira uma burocracia e perde sua principal característica, que é o amor?. Em 24 de junho, o papa havia criado uma comissão de inquérito, presidida pelo card. Farina, mais o card. Touran, já membro da comissão anterior do IOR, don Juan Arrieta, jurista, do Opus Dei, mons. Peter Bryan e a profª Mary Ann Glendon. Esta comissão foi recebida pelo papa em 10 de julho, juntamente com o presidente do banco, dr. Ernest Von Freyberg, nomeado por Bento 16 em 15 de fevereiro, antes da renúncia. Em longa entrevista ao l´Osservatore Romano, dr. Freyberg definiu o IOR como um serviço à Igreja no mundo. E especificou que o banco do Vaticano, em favor das dioceses, congregações e instituições católicas, tem 19.000 clientes em todo o mundo e gerencia cerca de ? 7 bilhões. ?Não creio que a Igreja possa não ter uma organização administrativa, que torne fatível sua missão? ? afirmou o cardeal de São Paulo em entrevista ao jornal ?Il Messaggero?. E continuou: ?O IOR não é um banco, mas um instituto com finalidades específicas de serviço. A questão não está tanto em possuir meios, mas na forma como são geridos: decoro, honestidade, transparência, serviço?. Acho que nesses quatro termos do card. Scherer estão resumidas a razão de ser e a forma de operar do banco do Vaticano, o agora combatido IOR.