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Duas d�cadas de um acontecimento terr�vel

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Há três dias, completaram-se 20 anos de uma das mais chocantes tragédias na história da criminalidade no Brasil, a Chacina da Candelária. Na noite de 23 de julho de 1993, um grupo de adolescentes, crianças e jovens moradores de rua que dormiam amontoados nas escadarias da Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, foram alvos de um feroz ataque à bala. Da fuzilaria emergiu um escândalo internacional que manchou o país e, especialmente, o governo federal então comandado por Itamar Franco. Oito morreram na hora, desses, seis eram menores de idade. Mas os estudiosos dos dramas sociais brasileiros estimam que todos os cerca de 60 jovens que estavam naquele cenário de horror findaram, mais cedo ou mais tarde, morrendo de forma violenta. Agentes policiais foram acusados pela chacina e, dos nove nomes listados, três foram presos e condenados, a penas pesadas: 261 anos, 204 anos e 200 anos de prisão, em vereditos exarados dez anos depois, em 2003. Segundo grupos de defesa dos direitos humanos, os três teriam passado pouco tempo atrás das grades e hoje estariam todos soltos, sendo que o derradeiro personagem liberado teve seu induto anulado pelo Superior Tribunal de Justiça neste ano, mas não foi localizado para ser comunicado da decisão judicial. Não há certeza sobre o destino dos sobreviventes da Chacina da Candelária, pois sem conseguirem ser reintegrados (ou integrados) à sociedade, aqueles jovens e crianças foram crescendo nas mesmas condições de exclusão. Alguns podem ter sobrevivido ao longo dessas duas décadas de continuados sofrimentos, mas os nomes que puderam ser mapeados revelam fins violentos, mormente assassinados em conflitos no seio da marginalidade. Hoje, num momento onde o Rio de Janeiro continua sacudido por gestos violentos e intolerantes, mesmo durante a visita do papa Francisco, a lembrança dos 20 anos dessa terrível ocorrência deve estimular a novos e mais amplos esforços para a erradicação da pobreza extrema, que teima em espalhar pelas ruas brasileiras os despossuídos de tudo, os sem-lar, os sem-esperança. Oxalá o partidarismo cada vez mais agressivo não faça retroceder os programas sociais ampliados há uma década, e que ainda precisam ser mantidos em benefício do fim verdadeiro da miséria abjeta, que ainda condena gerações de sem-nada.

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