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O DIA NACIONAL DE LUTAS E O MOVIMENTO DAS RUAS

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Estarrecidas diante das manifestações autenticamente populares ocorridas sem as suas participações e que as deixaram tontas como bêbados depois de ingerir uma garrafa inteira de pinga, as maiores centrais sindicais do país resolveram se manifestar. Avaliaram que a pauta ?das ruas? é basicamente a mesma do movimento sindical, mas precisa ser ?organizada? para que dê resultados. Acontece que a pauta das centrais sindicais não é a mesma pauta ?das ruas?. A pauta que veio para as ruas através das redes sociais não tem vinculações com sindicatos ou partidos, ela não tem pai, tutor ou liderança e não atua como chapa branca. Ela é fruto da revolta com o descaso e a corrupção e quer qualidade dos serviços públicos, deseja os corruptos condenados e cumprindo pena, quer que os aviões oficiais não sejam usados pelos políticos como se usa um táxi em que não se paga a conta; essa pauta não deseja ver o dinheiro dos impostos escorrer pelo ralo da incompetência e da roubalheira e quer a Petrobras voltando a ser uma empresa competitiva e lucrativa e não essa empresa que compra por 1 bi uma refinaria que custou 42 mi de dólares e agora não consegue mais do que 180 mi por ela. A pauta das ruas deseja que o serviço de iluminação pública e residencial não se pareça com um vagalume que vive em permanente apaga e acende por falta de investimentos e quer para seus filhos ensino público decente que priorize o saber e não a política de eleições de dirigentes de universidades e escolas, como se disso se fosse colher o melhor dos mundos. Já o dia nacional de lutas pediu o fim do fator previdenciário, reforma agrária, redução da jornada de trabalho e reajuste das aposentadorias. Todas são antigas reivindicações sindicais e voltam agora como se fossem iguais às do movimento das ruas em junho. Como se vê... Não são! Não imagino um país sem a representação de suas centrais sindicais organizadas em defesa dos interesses dos trabalhadores, mas como afirmou à BBC o cientista político Milton Lahuerta da Universidade Estadual Paulista ?atualmente, os sindicatos usam ao máximo sua capacidade de barganha e atuam no limite da chantagem para viabilizar seus interesses. Não há nenhuma perspectiva ideológica ou política para a construção de uma agenda propositiva e dificilmente romperão com o governo?. A verdade é que a pauta das centrais sindicais além de antiga é muito tímida e ao que parece eles não entenderam nada da pauta das ruas.

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