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Opinião

BOTE SAL, BOTE AZEITE, BOTE F�

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A semana que passou foi repleta de acontecimentos que tocaram o sentimento do povo brasileiro. Alguns tristes como a notícia das mortes de dois grandes ídolos da música popular e do esporte. Foram tantas as emoções desses dias, tantos olhares fixados nas ruas do Rio de Janeiro, na TV e na internet, que talvez Dominguinhos e Djalma Santos não tenham recebido a calorosa manifestação da despedida que mereciam. A Jornada Mundial da Juventude foi memorável e nunca sairá do coração dos jovens. Fez reflexivos devotos dos muitos credos. O papa chegou ao Brasil numa hora conturbada de grande revolta popular. Não entendeu, por exemplo, que as alianças que lhes dão sustentação apodreceram para o paladar da sociedade. Não entendeu que a voz das ruas exige direitos que há muito lhes são cerceados. Mudanças, em geral, são difíceis, às vezes traumáticas. Por isso, creio, o pontífice da paz veio no momento mais oportuno para botar sal e azeite ? usando sua própria analogia ? para melhorar o tempero da relação povo e governo. Certa feita, escrevi que a renúncia de Bento 16 e a eleição de Francisco foi uma providência divina. Os cristãos católicos estavam dispersos, sem rumo, feridos na sua fé pelas contradições das palavras proferidas nos púlpitos e os escândalos praticados nas sacristias e casas paroquiais. Mais ou menos o que acontece com a política brasileira, que promove um discurso populista, demagógico e não encontra ressonância nos reclamos e anseios da população. A sabedoria de Deus antecipou a mudança para reconquistar o sentimento de fé da humanidade descrente, presenteando ao mundo com um novo perfil de pastor arrastador de multidões de ovelhas. Francisco trouxe esperança para os humildes, deu coragem e alegria para a juventude e deixou os empavonados temendo botar a cara na rua. Tudo com serenidade, equilíbrio, inteligência e a humildade caracterizada nas atitudes dos grandes líderes. Deixou muito claro que ?os direitos humanos são violados não só pelo terrorismo, a repressão, os assassinatos, mas também pela existência de condições de extrema pobreza e estruturas econômicas injustas, que originam as grandes desigualdades?. Mostrou para o mundo que é possível unir crenças quando existe um objetivo: solidariedade, que os jovens não estão alienados. Francisco está acordando o mundo para lhe dizer que a igreja católica continua viva, fortalecida pela força da juventude. Ele foi embora, mas deixou uma lição que não apagará na memória do brasileiro em conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus, viver na alegria. O Brasil bota fé num país melhor, mais forte que a intolerância.

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