Opinião
CIENTISTA ALAGOANO MERECE IMORTALIDADE
No ano 2000, o médico escritor Emanoel Fortes Cavalcante, então presidente do Cremal, fez um movimento para tornar mais conhecida a vida e a obra do cientista Arthur Ramos, por ocasião do seu centenário. Todos os anos, em julho, eu relembro dele; homem extraordinário nascido em Pilar, cuja contribuição científica e humanística foi das mais relevantes. Mesmo tendo vivido apenas 46 anos, produziu extensa obra científica e cultural. Tão extensa que, ao ser estudada nos tempos atuais, tem-se a impressão de que 100 ou 120 anos, se fossem vividos, ainda seriam insuficientes para tantas pesquisas, estudos e escritos. Entre 1930 e 1949 ? fase de sua intensa produção intelectual ?, não havia computadores, os temas eram redigidos à mão ou numa antiquíssima máquina datilográfica. Médico, psicólogo, psicanalista, professor universitário, antropólogo, filósofo, cientista, jornalista, folclorista, Arthur Ramos foi um escritor de renome internacional. É considerado o maior especialista em cultura negra na América Latina. Deixou mais de 400 trabalhos científicos e 23 livros publicados, nos quais transborda sua extraordinária competência. Sua produção científica foi incomparável, porém, em nada supera sua batalha pelos direitos femininos ou no combate sem tréguas que empreendia contra as injustiças de que eram vítimas negros e indígenas. Foi preso, em 1937, por ter participado de uma vasta campanha pela paz, contra a 2ª Guerra que se avizinhava. Por sua luta pela paz foi encarregado pela Unesco (França) de elaborar planos de recuperação dos países no pós-guerra. Arthur Ramos nasceu em 7 de julho de 1903, à margem da Lagoa Manguaba. Pilar, no passado, chamava-se Manguaba. Uma expressiva homenagem à beleza e ao encantamento dessa lagoa está contida nos versos do poeta Judas Isgorogota, intelectual alagoano que viveu a maior parte da vida em SP. Vejamos uma amostra de sua veia poética: ?Na Manguaba, tranquila, uma canoa/ dança, lá embaixo; lá em cima, a lua/ põe pó de arroz na face da lagoa... / junto às margens, o mangue; empós, a rua/ e, na choupana humilde, a tabaroa, / rica de sonhos na pobreza sua...?. A Academia Alagoana de Cultura foi idealizada por um grupo de intelectuais e teve à frente o médico escritor Antônio Arnaldo Camelo. A AAC tomou como patrono Arthur Ramos. Recentemente, o escritor, jornalista e doutor em arte, Romeu de Melo Loureiro, foi eleito presidente desta instituição que completou 10 anos.