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Opinião

Tempo integral de luta pela seguran�a do povo

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É indiscutível a justeza das reivindicações dos servidores públicos que mourejam na vasta e complexa área da Segurança Pública. Salários defasados, estresse cotidiano, alto risco de morrer, precárias condições de trabalho. Estas são algumas das meritórias reclamações de policiais civis e militares e demais agentes da Lei. Têm toda a razão em seus protestos. Entretanto, algumas questões indicam também a existência de problemas de gestão e até de concepção no trabalho das forças policiais. Um desses pontos, bastante discutido, nos dias em curso, diz respeito ao horário de funcionamento das delegacias, o que, numa observação mais ampla, conduz para análises mais consubstanciadas sobre possíveis falhas na definição das escalas e da jornada em si. De fato, não há como se compreender o meio expediente nas delegacias de polícia, assim como a permanência do famigerado plantão de 24 horas, dentre outras formas inadequadas de gerir os recursos humanos disponíveis. Em verdade, poucos se lembrarão, com segurança, como, onde e por que foi inventado o tal expediente pela metade nos órgãos públicos, embora seja presente na memória a justificativa, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, apresentada para compressão da jornada (de oito horas com intervalo para almoço para seis horas corridas) dos servidores públicos como forma de se economizar eletricidade em tempos de apagões renitentes. O apagão passou para os arquivos, embora vez por outra seja desenterrado esse morto-vivo dos tempos de FHC para assombrar a presidente Dilma. Mas o fato é que a sistemática preocupação de se racionar energia não mais faz parte do presente; mas o ½ expediente generalizou-se 100%, contaminando até áreas essenciais como delegacias de polícia. Aplaudir as reivindicações dos servidores não significa fechar os olhos para equívocos e/ou vícios de quem como missão servir ao público. O funcionamento de hospitais, delegacias e outras repartições essenciais para a sociedade deve ser assegurado para além das contendas sindicais e, mais ainda, deve ser mantida respeitável distância dos ?jeitinhos? adotados para se empurrar problemas para debaixo do tapete.

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