Opinião
PAL�CIO DE VERSALHES VIRTUAL
Na década de 1970, quando criança em São Paulo, tive a infelicidade de conhecer um bairro conhecido como México e 70. Naquele tempo, não tinha maturidade de saber o porquê da nomenclatura; nem a geração da época podia manifestar-se devido ao período da ditadura.Diferente da atual, com exceções, que ?reunidos? no Palácio de Versalhes virtual (rede social), promove passeatas para a Tomada da Bastilha, qual seja, melhores condições para o Terceiro Estado: o povo. O Brasil do México e 70 eram 70 milhões de brasileiros; hoje, soma-se o dobro, aglutinando-se nas redes sociais, trocando ideias e opiniões sobre assuntos diversos. Não é por menos que os EUA vinham monitorando dados de usuários de internet e telefonemas; sonho de todo governante. Abraham Lincoln usou de maestria a fim de conter a Guerra de Secessão. Não tenhamos dúvida que ele estava acima de sua época em questões políticas. Cenário diferente dos governantes da atualidade, que estão à margem de seus governados e ainda se utilizam da política à romana panem et circens. Dessa forma, esquecem que um remédio do passado não sana doença do presente. Os cidadãos que querem o peixe pronto na mesa mantêm-se fiéis à ordem estabelecida, mas aqueles que carregam a vara de pescar, como fardo que o governo tenta equilibrar com a política do Pão e Circo, manifestam-se mostrando a força da democracia. Brasil nunca mais é o título do livro sobre as experiências desumanas no período da ditadura, mas esse título pode servir de slogan para essa geração, que não viveu na sombra desse poder. O crível é que a política do presente no Brasil está se amalgando com a do passado, onde este estimulava-se do ufanismo, reforçado pelo tricampeonato mundial de futebol, ganho pelo Brasil em 1970 para mascarar o período de insegurança, aquele utilizando do mesmo artifício, o futebol; para construir obras faraônicas e tentar calar uma geração, que nos seus anos rebeldes, reunidos no Palácio de Versalhes virtual derrubam um grande tabu: ?O povo tem o governo que merece?, para alardear um novo dito popular: ?O povo tem o governo que almeja?.