Opinião
EXPERI�NCIAS DE UMA JMJ
Participar de um encontro com a estrutura grandiosa de uma Jornada Mundial da Juventude nos faz ter diversas imagens de como o mesmo foi realizado e, consequentemente, também possuir experiências singulares. O que me impressionou não foi a quantidade de pessoas, superior ao Réveillon de Copacabana e sem dúvida nenhuma à próxima Copa do Mundo, e sim o que significa o encontro. Por onde se andava, eis que o grito vinha e todos o repetiam com um orgulho expresso no rosto: ?Esta es la juventud del papa?. Era como que uma afirmação de pertença. Somos do papa, e, por isso, somos da Igreja, somos de Jesus Cristo. O ministério dado a São Pedro continua, e o santo padre traz uma unidade que permite uma segurança inenarrável. Já vimos diversas expressões de multidões, mas não atraídas por palavras de uma vida nova, conforme o Evangelho. Os cristãos andam na contramão, e temas como ?castidade? e ?virgindade? são considerados ultrapassados pela sociedade, mas ali, não nos sentíamos sozinhos. E os testemunhos da juventude, tão belamente expressos, faziam-nos crer cada vez mais que os valores cristãos são norte para o mundo inteiro. Éramos milhões de jovens que paravam para escutar um senhor de idade, septuagenário, falar não de modismos, mas de conceitos eternos. Presenciei muitos se emocionarem em cada colocação. Éramos tocados profundamente à alma. Pude também conhecer um padre de um país em quase totalidade muçulmano. Simpático, conversamos durante todo um percurso à Catedral. Pedi uma foto de lembrança, o que me foi concedido. Surpreendeu-me quando ele me pediu que não a publicasse nas redes sociais. Explicou-me que veio com um grupo de forma clandestina, alegando turismo, e que se comentassem sobre o país e a existência dos jovens que com ele vieram, ali, poderiam descobrir e as consequências não seriam boas. Pensei no valor de sua missão e em sua coragem. Não há como voltar o mesmo depois de uma experiência de uma Jornada Mundial. Ressignificar conceitos, firmar outros, estabelecer pontes, faz-nos acreditar que é possível, sim, ser um jovem cristão diante de uma pluralidade de estilos de vida existentes atualmente. Éramos muitos, mas não heterogêneos. Éramos um.